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27 de Maio de 2016

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Um ano depois, Niterói tem 400 vítimas das chuvas
em abrigos e 3.800 à espera do Aluguel Social

Das 7.000 famílias desabrigadas, apenas 3.200 recebem o benefício da prefeitura

Monique Cardone, do R7 | 07/04/2011 às 05h55
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O dia 7 de abril é particularmente doloroso para as vítimas da tragédia das chuvas que atingiram Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, em 2010. Na ocasião, 168 pessoas morreram e cerca de 7.000 famílias ficaram desabrigadas. Após um ano, além da tristeza e das marcas deixadas pela enchente, a situação é mais complicada para 400 pessoas que vivem em abrigo e cerca de 3.800 famílias que esperam para receber o Aluguel Social, no valor de R$ 400, ou uma das casas que estão sendo construídas para os desabrigados.

Veja imagens do abrigo de Niterói e do morro do Bumba

Atualmente, 3.200 pessoas recebem o benefício. De acordo com a Prefeitura de Niterói, esse número foi definido pelo governo do Estado. Lucineide Moreira, que morava no morro do Bumba, o local mais atingido de Niterói, com 45 mortos, ficou fora da lista dos favorecidos e disse não ter mais esperanças.

- Depois de 12 meses, eu não acredito em mais nada. Eu estava na primeira lista para receber o aluguel e nunca vi a cor do dinheiro. Eu vivo com a ajuda da minha sogra que me deu um sobrado. No início, eu até brigava pelo dinheiro, mas agora desisti.

Em relação às pessoas que ainda não recebem o benefício, a prefeitura informou que aguarda um posicionamento do Estado para atender às solicitações de novos convênios para os mais atingidos pelas chuvas do ano passado.

Mesmo sem uma data definida e com dificuldades para sobreviver, Lucineide diz acreditar que teve sorte de não precisar ficar em um dos abrigos, como aconteceu com muitos vizinhos do Bumba. Uma dessas é Maria Conceição, que mora com cerca de 400 pessoas no 3º Batalhão de Infantaria, local comprado pelo Estado, cedido ao município e o único que ainda é mantido para os desabrigados.

- Aqui é horrível. Estamos completamente abandonados. Depois que acabaram com o abrigo do 4° GCAM e juntou todo mundo aqui, a coisa só piorou. As faxineiras fingem que limpam e vão embora correndo. Estamos sem água. Os banheiros estão imundos. O pior é que eu acho que eles não vão fazer nada pela gente nunca.

O esgoto a céu aberto, o matagal alto e a enorme quantidade de mosquitos confirmam as condições precárias que as famílias vivem. Antenor da Silva, que morava no Cubango, na zona norte de Niterói, está no abrigo há um ano e também protesta contra o atraso do Aluguel Social.

- Eu quase saí daqui uma vez, mas ainda bem que não fui. Eles [a prefeitura] já atrasaram o dinheiro duas vezes. Em uma delas, fiquei três meses sem receber. Como ia pagar o aluguel de uma casa se eu tivesse saído daqui? Até quando eles vão dar essa ajuda?

A prefeitura informou que o prefeito, Jorge Roberto Silveira, assinou no dia 21 de março deste ano um novo termo de cooperação que permitirá a continuidade do pagamento do benefício às vítimas das chuvas de abril por mais nove meses. O Aluguel Social das 3.200 famílias será efetuado em conta corrente com cartão magnético.

Procurada pelo R7, a assessoria de imprensa do prefeito Jorge Roberto Silveira disse que ele não poderia conceder entrevista à reportagem.

"Presídio de desabrigados"

A moradora do abrigo do 3º Batalhão de Infantaria Rose da Costa fala que o lugar parece um presídio de desabrigados.

- Vivemos largados nesse chiqueiro. Além da sujeira, somo prisioneiros aqui. Arrumar trabalho longe nem pensar, porque às 23h30 eles fecham o portão. Quem chegar depois de meia-noite dorme na rua.

A única reclamação que a equipe do R7 não ouviu foi em relação à comida. Os moradores recebem sem falta as quatro refeições que a prefeitura manda diariamente.

Segundo a prefeitura de Niterói, as famílias ficarão no abrigo até que as 7.000 unidades habitacionais, construídas por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, fiquem prontas. A previsão é de que todas sejam concluídas até 2012.

Ainda de acordo com a prefeitura, 180 apartamentos estão sendo erguidos no bairro Viçoso Jardim, próximo ao morro do Bumba. Também serão construídas unidades habitacionais nos bairros do Fonseca, Caramujo, Engenho do Mato, Sapê, Jacaré, Bairro de Fátima, Ititioca e Várzea das Moças.

Até agora, as únicas casas entregues aos desabrigados foram 93 apartamentos em um condomínio no bairro Várzea das Moças (do Programa de Arrendamento Familiar, da Caixa Econômica Federal), comprados pelo governo do Estado, em maio do ano passado.

Contenção de encostas

Desde que ocorreu a tragédia, os governos municipal, estadual e federal informaram que começaram a trabalhar em parceria na cidade de Niterói para realizar obras de recuperação de encostas.

Segundo a prefeitura, são mais de 40 obras de contenção, entre concluídas e em construção, com recursos principalmente provenientes do governo federal, mas feitas pelo governo do Estado. Ao todo, são cerca de R$ 160 milhões destinados pelas três esferas de governos.

Uma das obras concluídas é a do morro do Bumba. O local foi totalmente reconstruído e ganhou um enorme gramado, quadra de esporte, brinquedos infantis e uma praça com mesas e bancos para o lazer dos moradores do bairro.


 
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