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17 de Dezembro de 2014

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UPP da Rocinha terá de vencer resistência do tráfico de ficar na zona sul

Para especialistas, mercado de usuários de droga com poder aquisitivo é atraente

Isabele Rangel, do R7 | 21/09/2012 às 05h52

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A proximidade da zona sul e da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, impõe um desafio ainda maior para o sucesso da implantação da UPP na favela da Rocinha. A Unidade de Polícia Pacificadora foi instalada na comunidade na quinta-feira (20). Como se não bastasse o fato de a favela ser a maior do Brasil em extensão territorial, com 840 mil m², a proximidade dos usuários de droga com alto poder aquisitivo torna a comunidade ainda mais atraente para o tráfico de drogas.

A importância estratégica do território para as quadrilhas ficou ainda mais evidente durante a ocupação do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do BPChq (Batalhão de Choque), período que antecedeu a chegada da UPP. Facções criminosas rivais entraram em confronto para dominar as bocas de fumo da favela. O resultado da disputa, ora entre traficantes, que queriam o domínio dos pontos de drogas nas favela, ora com a polícia, que tentava reprimir as ações criminosas, deixou 13 mortos entre novembro de 2011 e setembro de 2012.

Entre as vítimas dos confrontos, estão dois policiais militares: Diego Bruno Barbosa Henriques, de 24 anos, morto no dia 14 de setembro, e o cabo do Batalhão de Choque Rodrigo Alves Cavalcante, de 33 anos, assassinado no dia 4 de abril.

Para o ex-coronel da Polícia Militar e fundador do Bope (Batalhão de Operações Especiais), Paulo Amendola, a existência do mercado consumidor de drogas dificulta a repressão ao tráfico, que resiste em deixar a favela.

— A localização da Rocinha é estratégica. É o ponto de venda de drogas mais privilegiado que tem. Fica entre a zona sul e a Barra da Tijuca [na zona oeste]. Com isso, a atração para a venda de drogas é muito grande, devido à proximidade com o mercado consumidor. Isso faz com que a insistência dos marginais em permanecer na favela seja maior do que em qualquer outro lugar.

Tecnologia para afastar usuários

No entanto, para o comandante da UPP da Rocinha, major Edson Santos, de 38 anos, o interesse dos usuários em comprar drogas na Rocinha deve diminuir com a instalação das cem câmeras de segurança na favela.

— Os usuários de drogas não virão aqui se souberem que estão sendo monitorados. Por isso, é preciso viabilizar os projetos da área tecnológica, como a instalação de câmeras que nos ajudarão muito no patrulhamento.

A favela da Rocinha será a primeira a contar com um centro de comando e controle de imagens. Os equipamentos podem filmar a longas distâncias. Além disso, os rádios dos policiais vão contar com sistema GPS. Outra novidade é o uso de um número maior de motocicletas na frota da UPP. Ao todo serão 12. Para Amendola, mesmo facilitando o acesso a locais mais difíceis, as motocicletas têm limitações.

— Apesar de ser mais versátil que um veículo de quatro rodas, a moto só permite o transporte de duas pessoas e quando há um grupo maior de marginais, os policiais ficam em desvantagem tática.

Para o especialista em segurança, o comandante da UPP da Rocinha precisará de habilidade para coordenar os 700 homens, distribuídos em oito bases, das quais três já estão prontas. O efetivo tem 262 homens a mais do que a tropa que estava na favela antes da chegada da UPP.

Porém, para o sociólogo da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Ignácio Cano, mesmo com o maior número de policiais, a Rocinha terá uma proporção menor de PMs por habitante do que em outras comunidades com UPPs.

— O efetivo da Rocinha ainda está em um limite inferior do que em algumas UPPs, que têm uma margem maior, mas, considerando o efetivo de 700 homens, o número ainda é razoável.

Assista aos vídeos:


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