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24 de Novembro de 2014

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UPPs afastam mais de 3.600 menores
de idade do tráfico no Rio, diz instituto

Levantamento de ONG mostra que jovens largaram o crime e buscam novas oportunidades

Evelyn Moraes, do R7 | 04/07/2011 às 16h30
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O número de menores de idade envolvidos com o tráfico de drogas no Rio de Janeiro - os chamados "soldados do tráfico" - caiu 15% após a implantação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), segundo levantamento do Ibiss (Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social), ONG que atua em 11 áreas de risco da região metropolitana. O percentual representa cerca de 3.600 jovens longe da criminalidade.

Em 2007, a entidade estimava que cerca de 15.658 menores de 18 anos exerciam atividades remuneradas para traficantes da capital e da Baixada Fluminense. Apesar da queda, o contingente de meninos envolvidos hoje com o tráfico ainda é alto: cerca de 12 mil.

De acordo com o diretor executivo do Ibiss, o holandês Nanko G. van Buuren, a redução está associada à retomada de territórios pelas forças de segurança. Muitos jovens aproveitaram a saída do tráfico da comunidade para largar o crime, diz ele. Há aqueles que ainda temem ser reprimidos pela polícia, porque não chegaram a cumprir pena pelos crimes.

- A maioria dos soldados [menores envolvidos com o tráfico] que ficou na comunidade onde foi instalada uma UPP não tem passagem pela polícia. Aqueles que já tinham ficha criminal tiveram medo e migraram para outras favelas, onde ainda há tráfico. Eles têm medo de ser presos. 

A cientista social e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, Sílvia Ramos, tem percepção semelhante: muitos dos jovens que atuavam no tráfico estão ficando nas comunidades pacificadas.

- Muitos garotos que atuavam no tráfico não estão saindo da sua comunidade, porque não têm mandados expedidos pela Justiça. Muitos estão ficando e procurando emprego fora do crime. Há mais jovens ficando do que saindo das favelas pacificadas. 

Hierarquia do tráfico

Fundada há 22 anos por Nanko Buuren, o Ibiss atua em mais de 500 comunidades do Estado com ações de educação em saúde. O principal trabalho da ONG é mostrar aos jovens o que existe fora do tráfico e dar oportunidades para eles largarem o crime.

Segundo dados do Iser (Instituto de Estudos da Religião), 80% dos meninos que se envolvem com o tráfico só vivem até os 21 anos. Para orientar esses meninos, a ONG conta com o apoio de “ex-soldados”.

- Temos muitos ex-soldados que trabalham conosco. Tentamos abrir os olhos desses meninos. Nós temos um programa de superação de experiências traumáticas com terapias alternativas para ajudar os jovens.

Muitos meninos começam a carreira no tráfico de drogas aos oito anos, como "olheiros" ou "fogueteiros", responsáveis por vigiar a favela e avisar os criminosos sobre a chegada da polícia ou bando rival.

Na hierarquia do tráfico, em seguida, vem o "avião" (transporta drogas), o "soldado" (com direito a armas para possíveis confrontos), o "vapor" (controla a venda de drogas em um ponto), o "gerente" (controla pontos de venda de drogas), o "chefe" (coordena todo tráfico da favela) e o "chefe de facção" (coordena o tráfico de várias favelas). Ainda há a figura do “dono do preço”, que tem a liberdade de cobrar quanto quiser pelas drogas.


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