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24 de Outubro de 2014

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Vítima da tragédia em Nova Friburgo
engana tristeza com fotos no celular

Denise, de 29 anos, compara cenário da cidade a um filme de terror

Carlyle Jr., do R7, em Nova Friburgo | 15/01/2011 às 17h56
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A pintora Denise de Oliveira, de 29 anos, guarda no celular fotos do bairro Venda das Pedras antes de ser arrasado pela tragédia das chuvas que devastou Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. As imagens confortam Denise, que viu um “tufão” de entulho e lama levar a baixo as casas e mansões do lugar.

- Eu lembro que a luz acabou e logo uma escuridão tomou conta da rua. Depois de um forte tremor eu só ouvia as pessoas gritando e pedindo socorro. Não sabia o que fazer. Passei a mão na minha filha e fiquei acompanhando tudo aquilo, mas não conseguia ver nada. 

A onda de água suja poupou a casa de Denise, que hoje divide o espaço de um abrigo com mais de 50 pessoas. Ela ouviu o conselho dos policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais), que comandam os resgates em Venda das Pedras, e resolveu deixar sua moradia para trás, na quinta-feira (13).

- Parece que eu estou dentro de um filme de terror, e uma hora tudo isso vai acabar.

Mas no abrigo as horas passam devagar para Denise. Sempre que pode a pintora percorre dez quilômetros a pé do centro de Nova Friburgo, onde fica o abrigo, até Venda das Pedras para ver se sua casa ainda está no lugar.

- A gente luta a vida inteira para construir uma casa e pode perder tudo a qualquer momento por causa da chuva. Eu não aguento mais essa incerteza.

Mas a incerteza de Denise pode durar dias ou até mesmo semanas. A chuva destruiu praticamente todo o bairro e é quase impossível voltar para lá. Entretanto, os boatos de que bandidos estão saqueando as casas desocupadas em áreas de risco preocupam a pintora.

Ela teme encontrar o lugar sem os móveis e os eletrodomésticos que levou anos para comprar.

- Estamos cercados pelo medo. Numa hora nossa casa pode cair, na outra os vagabundos podem assaltar.

Abrigo: esperança e prova de solidariedade

A filha de Denise, Brenda, de nove anos, não desgruda da boneca suja de lama.

- Eu estou com muita pena da minha mãe. Ela não para de chorar. Eu quero voltar para casa.

O desejo de Brenda é o mesmo das outras 14 crianças que estão no mesmo abrigo da prefeitura. A psicóloga Ivana Gambini, que ajuda a administrar o espaço, conta que a garotada está muito assusta com tudo o que aconteceu.

- Eles não entendem bem a dimensão da tragédia, mas sabem que não estão em casa ou dormindo em uma cama quentinha.

Os desabrigadas estão dormindo em colchonetes e se alimentando com biscoitos e sanduíches preparados por cerca de 13 voluntários. Roupas, comida e água potável não param de chegar ao abrigo improvisado em um centro cultural. Ivana conta que a solidariedade das pessoas está ajudando a garantir o bem-estar de quem perdeu tudo na enchente.

- A ajuda das pessoas é comovente. Estamos recebendo apoio de todos os lados.

 

Tragédia

O forte temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro na terça-feira (11) deixou centenas de mortos e milhares de sobreviventes desabrigados e desalojados, principalmente na região serrana.
 
As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto foram as mais afetadas. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. Equipes de resgates ainda enfrentam dificuldades para chegar a alguns locais.

Veja a galeria de fotos

No final da noite desta sexta-feira (14), a presidente Dilma Rousseff liberou R$ 100 milhões para ações de socorro e assistência às vítimas. Além disso, o governo federal anunciou a antecipação do Bolsa Família para os 20 mil inscritos no programa nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.

Empresas públicas e privadas, além de ONGs (Organizações Não Governamentais), também estão ajudando e recebem doações.
 
Os corpos identificados e liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) começaram a ser enterrados quinta-feira (13), alguns deles sem identificação. Hospitais estão lotados de feridos. Médicos apelam por doação de sangue e remédios. Os próximos dias prometem ser de muito trabalho e expectativa pelo resgate de mais sobreviventes.

Em visita à região de Itaipava, em Petrópolis, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ricos e pobres ocupavam irregularmente áreas de risco e que o ambiente foi prejudicado.

- Está provado que houve ocupação irregular, tanto de baixa quanto de alta renda. Está provado também que houve dano da natureza. Isso não tem a ver com pobre ou rico.


 
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