Abdelmassih só será transferido quando estiver bem, diz advogado

Justiça determinou que ex-médico vá para hospital penitenciário

Roger Abdelmassih está internado em hospital
Roger Abdelmassih está internado em hospital Divulgação/Governo paraguaio

O advogado Roger Abdelmassih, Antônio Celso Fraga, afirmou neste sábado (12) que seu cliente só será transferido de hospital quando tiver melhora clínica. Segundo ele, o ex-médico está recebendo medicações por meio de um cateter na veia, e, portanto, não pode ser removido do Albert Einstein, onde está internado com uma superbactéria, escoltado por policiais militares.

Fraga disse ainda que vai entrar com um pedido de habeas corpus para reverter a determinação da juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, da 1ª Vara de das Execuções Criminais da Comarca de Taubaté. A magistrada determinou que Roger, que tem 74 anos, seja transferido para o Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, situado no bairro Carandiru, na zona norte de São Paulo.

A juíza já havia decidido pela prisão domiciliar do detento. Uma das condições estabelecidas por ela foi o uso de tornozeleira eletrônica. Devido aos problemas apresentados no aparelho e o cancelamento do contrato entre aa empresa fornecedora e a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, o monitoramento de Abdelmassih foi interrompido e a juíza entendeu que ficou prejudicada, pelo menos no momento atual, a manutenção da prisão domiciliar do ex-médico.

A decisão prevê que o ex-médico seja transferido para o Presídio de Tremembé, no interior paulista, após a alta hospitalar.

O caso
Abdelmassih foi preso no dia 19 de agosto de 2014, no Paraguai após investigação da reportagem da Record TV localizar o paradeiro do ex-médico. A prisão foi feita por agentes paraguaios da Secretaria Nacional Antidrogas, com apoio da Polícia Federal. Ele era procurado no Brasil, depois de ter sido denunciado por pacientes de cometer estupro em sua clínica de fertilização em São Paulo, entre os anos de 1995 e 2008.

O ex-médico, que era considerado um dos principais especialistas em fertilização no Brasil, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por crimes de estupro praticados contra 56 mulheres. Ele teve o registro profissional cassado em agosto de 2009.

Apesar da condenação, em novembro de 2010, Abdelmassih não foi preso imediatamente em virtude de um habeas corpus concedido pelo então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. Em fevereiro de 2011, porém, o habeas corpus foi cassado pelo próprio STF.

Nessa época, Abdelmassih já era considerado foragido da Justiça. Em janeiro de 2011, nova prisão foi decretada pela 16ª Vara Criminal da capital, baseada na solicitação de renovação do passaporte do próprio médico, o que configurava risco de fuga. Ele, no entanto, conseguiu fugir do país e passou a constar na lista de criminosos procurados pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).

Abdelmassih chegou a ser condenado a 278 anos de reclusão por 48 crimes de estupro contra 37 pacientes entre 1995 e 2008. Em 2014 sua pena foi reduzida para 181 anos em regime fechado. Desde agosto de 2014, Abdelmassih vinha cumprindo pena na Penitenciária II, de Tremembé, interior de São Paulo.