Acidente da TAM resultou em mudanças para aumentar segurança em Congonhas

Pistas foram reformadas, pousos e decolagens foram diminuídos e malha aérea foi modificada

Pistas do aeroporto de Congonhas (SP) receberam ranhuras e pousos e decolagens foram restringidos
Pistas do aeroporto de Congonhas (SP) receberam ranhuras e pousos e decolagens foram restringidos VALTER CAMPANATO/ABR/ARQUIVO

Desde 2007, o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, passou por mudanças após o acidente com o airbus da TAM e as recomendações feitas pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Para aumentar a segurança na pista do terminal, foram adotadas várias medidas, entre elas a redução no número de autorizações para pousos e decolagens.

Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), uma das medidas foi a determinação do número fixo de slots (autorizações de pouso e decolagem). Antes do acidente, o aeroporto operava sem limite definido, com até 38 slots por hora.

Atualmente, o limite para a aviação comercial foi estabelecido em 33 slots por hora. A aviação geral dispõe de dois movimentos por hora na pista principal e quatro por hora na pista auxiliar.

Foi implantada também uma nova malha aérea, organizando rotas e horários de voos, além do aumento da fiscalização operacional das companhias aéreas. Além disso, uma instrução normativa proíbe pousos e decolagens no aeroporto, quando os sistemas que aumentam o desempenho da frenagem da aeronave (os reversos) estiverem inoperantes. As pistas de pouso e decolagem atualmente têm grooving (ranhuras).

A Latam Airlines informou que todos os procedimentos da companhia foram aprimorados. “[Há ainda] novas capacidades tecnológicas que podem nos apoiar na agilidade de todo o processo de apuração e atendimento aos familiares”. A companhia informou que as causas do acidente foram informadas pelo Cenipa e que cumpriu as 24 recomendações feitas pelo órgão para melhoria da segurança aérea. “Muitas dessas recomendações já eram aplicadas pela empresa e foram aprimoradas após o ocorrido.”

De acordo com a Latam, entre as recomendações adotadas pela companhia estão a criação de programas para reforçar a conscientização sobre segurança operacional entre todos os funcionários, reforço do procedimento adequado junto à tripulação em caso da aeronave operar com restrições no reversor, padronização do treinamento aplicado aos pilotos para estarem familiarizados para atuar na função de copilotos, reforço nos processos de treinamento para a formação e reciclagem de pilotos.

“Um acidente aéreo ocorre por uma conjunção de fatores. Justamente por isso é tão importante a análise das informações e investigação por órgãos competentes, de forma que todo o setor possa entender as hipóteses para o ocorrido, bem como reunir também aprendizados”, destaca a companhia.

A Infraero informou que a rotina de verificação de itens considerados críticos dos aeroportos que ela administra no país, tais como o pavimento, o atrito, a macrotextura da pista, a sinalização e o auxílio à navegação aérea, foram sistematizados e intensificados após o acidente. Em Congonhas, especificamente, foram feitas adequações operacionais. As distâncias declaradas para decolagem e pouso, que antes eram de 1.940 metros na pista principal e 1.345 na pista auxiliar, foram reduzidas na pista principal para 1.790 metros na decolagem e 1.660 para pouso e, na pista auxiliar, para 1.345 metros na decolagem e 1.195 no pouso, possibilitando assim a implantação de uma área de segurança.

Corpo de Bombeiros

Segundo o coronel Wagner Bertolini Junior, subcomandante do Corpo de Bombeiros de São Paulo, após o primeiro acidente com um avião da TAM, o Fokker 100, em 1996, a preparação dos bombeiros foi aprimorada. A aeronave caiu sobre algumas casas, segundos após decolar de Congonhas. Ao todo, 99 pessoas morreram na tragédia.

“Depois do primeiro acidente da TAM, a gente veio executando grandes simulações todo ano”. Em um desses treinamentos, o Corpo de Bombeiros pediu para que uma escola de samba paulista fizesse um avião, usado numa simulação de um acidente, em que a aeronave caiu sobre uma cidade.

Mais treinados, os bombeiros puderam, por exemplo, no segundo acidente, recuperar objetos das vítimas, que ajudaram na identificação dos corpos. “A gente buscava com afinco os pertences porque, muitas vezes, era a diferença entre uma família angustiada pela presença de alguém [no local] ou não”, explicou.

“A única coisa que a gente não podia minimizar eram as lágrimas dos familiares. Mas a gente tentou fazer a coisa ser o mais organizada possível e respeitosa para as pessoas que perderam seus entes lá”, disse o coronel.