Após ato pacífico, Polícia Militar usa bombas de gás e jatos d'água para dispersar manifestantes

Foram mais de cinco horas de protesto pacífico em São Paulo; violência ocorreu na dispersão

Milhares de pessoas protestaram neste domingo (4) em São Paulo contra o presidente da República Michel Temer, completando uma semana de protestos na capital paulista. Após violentos confrontos na quarta, quinta e sexta-feira, o ato de hoje se encerrava de forma pacífica no Largo da Batata, por volta das 20h30, quando a Tropa de Choque da Polícia Militar começou a lançar bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta no meio da praça. Manifestantes acusam os agentes de iniciar a violência “sem motivo”.

Os manifestantes começaram a se reunir na avenida Paulista por volta das 13h, convocados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além de MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e CUT (Central Única de Trabalhadores).

O ato saiu da Paulista por volta das 17h30, com destino ao Largo da Batata, na zona oeste da capital. Menos de duas horas depois os primeiros manifestantes já chegavam à praça, onde foi realizado um enterro simbólico do presidente Temer. A organização informou que 100 mil pessoas estiveram presentes. A Polícia Militar não fez estimativa.

Os organizadores fizeram os últimos discursos às 20h30, quando convocaram uma nova manifestação para a próxima quinta-feira (8), às 17h, no Largo da Batata.

Pacífico até aquele momento, o ato começou a se dispersar em seguida, com milhares de pessoas seguindo à estação de metrô que fica na praça. Foi quando os agentes da Tropa de Choque começaram a lançar as bombas e dispersar os manifestantes.

A assessoria de imprensa da PM informou à Agência Record que manifestantes tentaram danificar a estação de Metrô Faria Lima, e então policiais usaram bombas de gás e spray de pimenta para dispersão.

Relatos de testemunhas e manifestantes, no entanto, indicam que a ação dos agentes foi empregada sem qualquer tipo de provocação. Teria acontecido apenas um empurra-empurra na entrada da estação.

O gás das bombas entrou na estação Faria Lima, obrigando usuários a deixar o local. Os manifestantes correram e se protegeram em bares da região, alguns dos quais resolveram baixar as portas. Um fotógrafo foi ferido por uma bala de borracha na perna, enquanto uma mulher passou mal dentro de um ônibus por causa do spray de pimenta.

Por volta das 21h, o Largo da Batata estava vazio, enquanto os manifestantes continuavam a se dispersar pelas ruas do bairro de Pinheiros.

Antes do confronto, nove pessoas já haviam sido detidas para averiguação por estarem portando pedaços de madeira, barras de ferro, pedras e máscaras, segundo a PM. Os detidos foram encaminhados à 1ª Delegacia de Investigações sobre Propriedade Imaterial (1ª DIG).