Defensoria Pública denuncia PM de Campinas por ordem de abordar jovens "pardos e negros"

Orientação foi dada a policiais militares que atuam em bairro de Campinas em abril de 2012

Ordem de serviço foi dada no dia 21 de dezembro do ano passado
Ordem de serviço foi dada no dia 21 de dezembro do ano passado Reprodução

A Defensoria Pública de São Paulo apresentou duas ações contra a ordem de serviço do comando da Polícia Militar em Campinas que determinava aos seus policiais abordagens “especialmente em indivíduos de cor parda e negra”. A ordem de serviço, do dia 21 de dezembro do ano passado, foi emitida para patrulhamento em um bairro da cidade com registros frequentes de roubo e determinava que os policiais abordassem “transeuntes e veículos em atitude suspeita, especialmente indivíduos de cor parda e negra com idade aparentemente de 18 a 25 anos, os quais sempre estão em grupo de 3 a 5 indivíduos na prática de roubo à residência daquela localidade”.

Nesta quinta-feira (14), foi oferecida uma denúncia à Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania. A defensora pública Vanessa Alves Vieira argumenta que a ordem foi um ato discriminatório. Segundo a ação, “a concretização da ordem implica, necessariamente, em intimidação, constrangimento e vexame aos cidadãos negros”.

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Além disso, no último dia 8, a Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público do Estado também recebeu uma denúncia do defensor público Bruno Shimizu. Na ação, o defensor pede que seja instaurado um inquérito policial para investigar o caso. Segundo ele, a determinação da PM de Campinas “identifica a imagem do cidadão negro com a de criminosos, o que é inadmissível”. 

R7 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar de Campinas, ninguém foi localizado até a publicação desta matéria.