Cidades

10/11/2012 às 04h49 (Atualizado em 13/11/2012 às 12h36)

Dificuldade dos solteiros é abrir mão da liberdade

Segundo paulistano, relacionamento na capital é "superficial"

Vanessa Sulina, do R7

Maria Carmem e Flávio vivem e curtem a vida de solteiro Arquivo Pessoal - Fotomontagem R7

Criada para focar nos estudos, na vida profissional e lutar pela independência financeira, a mineira Maria Carmem Abdalla, de 51 anos, nunca se casou. Segundo a professora de história de São João Del Rey, interior de MG, ela e seus dez irmãos não cresceram “pensando que é preciso se casar para ser feliz”. Assim com ela, 89 milhões de pessoas estão solteiras no Brasil. De acordo com o Censo Demográfico 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado recentemente, 55,3% da população estava sozinha.

Mesmo não tendo sido criada para dividir o mesmo teto com alguém, Maria conta que sempre teve diversos namorados e nunca ficou sozinha. Segundo ela, não faltaram namorados e histórias de amor, desde a adolescência. A última delas, inclusive, acabou em 2009, mas o sentimento pelo ex-companheiro persiste até hoje, apesar da separação.

— Hoje, mesmo estabilizada financeiramente, não penso em casamento. Sempre vivi bem solteira. Aos 40 anos tive um namorado e pensei em ser mãe também, mas não pude engravidar. Minha mãe ficou viúva muito cedo, viveu sozinha sem meu pai e deu conta. Tenho amigas que abriram mão da carreira para casar e ter filho, depois se separaram e tiveram que correr atrás de tudo. Duas das minhas três irmãs também são solteiras.

Apesar da solidão, que às vezes bate por causa da solteirice, a professora conta o fato de ser solteira dá a liberdade de ter suas próprias escolhas.

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— No começo deste ano, fiz uma viagem de quase um mês com mais quatro amigas, três delas solteiras também. Fomos ao nordeste parando em todos os lugares, uma delas inclusive deixou o namorado aqui e foi junto com a gente [risos].

Para o psicólogo e diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, Ângelo Monesi, a tendência da população em preferir a solidão ficará “cada vez maior” na sociedade brasileira. Para ele, isso acontece porque se valorizam as obrigações do casamento e não o que de bom o relacionamento pode trazer.

— Hoje em dia, uma em cada quatro mulheres não quer ter filhos. E para que então se casar? Também nas cidades grandes, com o estilo de vida moderno, começa a vigorar o pensamento “quem quer ser feliz não casa”. A ideia do casamento está aliada ao bem estar do outro. Sozinho tudo parece mais fácil.

Uma das dificuldades que o vendedor técnico, Flávio Meirelles Silvestre, de 29 anos, morador de São Paulo, enfrenta para “encontrar uma pessoa legal” é a “vida corrida que todo mundo vive”.

— As pessoas daqui se preocupam com o lado profissional, se focam muito na carreira. Todo mundo vive acelerado, na correria de trabalho e os relacionamentos se tonam mais superficiais.

Liberdade

Solteiro há quase um ano e com três namoros em sua história, Silvestre conta que pensa sim em encontrar “alguém bacana” para se casar e ter filhos no futuro. Mas, enquanto a pessoa especial não aparece, aproveita para curtir sua liberdade, que em sua avaliação, é algo que mais adora quando está sozinho.

— Quando estou solteiro tenho liberdade, de viajar, ir para uma balada, um bar sem ter que dar satisfação para o parceira.

Mercado para solteiros

Sergio Savian, terapeuta e especialista em relacionamentos amorosos, explica que a preferência pela solidão está fazendo com que mercado consumidor se direcione fortemente aos solteiros.

Exemplo disso são as porções de alimentos nos supermercados e nas feiras livres que são oferecidas em menores quantidades. Baladas, bares, cinemas, salões de beleza e outros serviços estão cada vez mais atentos aos solteiros. Mas ainda falta muito a se fazer para que os solteiros possam viver melhor.

Consequências

De acordo com Monesi, com a dificuldade de se relacionar, as pessoas têm ficado cada vez mais individualistas.

— Quando você está em família, a necessidade individual é abandonada em prol da coletiva. Se um pensa em viajar e o outro diz que não dá porque tem que guardar dinheiro para pintar a casa, você pensa que viver em família é uma armadilha. É mais fácil sozinho e solteiro. Ter família é caro e difícil, por isso o modelo de família que existe hoje a tendência é sumir.

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