São Paulo

12/3/2013 às 11h23 (Atualizado em 12/3/2013 às 13h27)

Jovem atropelado será ouvido pela polícia nesta terça

Ele teve o braço direito arrancado em acidente na avenida Paulista; motorista estava bêbado

Agência Estado

Bicicleta de ciclista que foi atropelado na manhã de domingo na Paulista Marco Ambrósio/Frame/Estadão Conteúdo

O operador de rapel David Santos Souza, de 21 anos, que teve o braço direito arrancado após ser atropelado na manhã do domingo (10), será ouvido nesta terça-feira (12) pelo delegado Carlos Eduardo Silveira Martins, titular do 5º DP (Aclimação) e responsável pela investigação.

Após passar a noite na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital das Clínicas, David Santos Souza foi para um quarto comum, no fim da tarde de segunda-feira (11). Segundo a família, está lúcido e esboça sorrisos. Sua irmã, a manicure Antônia Cídia, de 27 anos, diz que a vítima contou que, quando percebeu que seria atingido pelo motorista, chegou a tentar jogar a bicicleta na calçada, mas não conseguiu.

Os primeiros socorros foram feitos pelo estudante de publicidade Thiago Chagas dos Santos, que obteve noções de atendimento de saúde nos dois anos que cursou enfermagem.

— Só vi o carro quando ele atropelou alguns cones e o David. Ele freou, parou e depois deu partida.

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Chagas fez o procedimento de reanimação de Souza com massagem cardíaca enquanto aguardava o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

— Ele estava desacordado e os sinais vitais estavam muito fracos.

Enquanto isso, ciclistas e pedestres começaram a se aproximar do local do acidente. Um deles ofereceu a Chagas um cadarço, para fazer um torniquete. O estudante conta que, assim que acordou, David começou a perguntar pelo braço que faltava, tateando o lado direito do corpo.

Atropelamento

O atropelamento foi por volta das 6h da manhã do domingo (10), na altura do número 459 da avenida Paulista, no sentido Paraíso. Souza pedalava na faixa já separada pelos cones da ciclofaixa, que abriria uma hora depois. Ele foi atingido pelo carro dirigido por Alex Siwek, de 21 anos, e o forte impacto decepou o braço direito do ciclista. Testemunhas relataram à polícia que o carro fazia zigue-zagues e estava em alta velocidade — alguns cones foram atingidos. Siwek fugiu depois do acidente. 

À polícia, o atropelador teria dito inicialmente que não sabia nada sobre o braço da vítima. Porém, momentos depois, quando já era conduzido à delegacia para prestar depoimento, assumiu que o membro decepado ficara no banco de trás do carro e que antes de se entregar o havia arremessado no córrego do Ipiranga, na avenida Doutor Ricardo Jafet. Buscas foram feitas no local, mas o braço não foi recuperado, impedindo que os cirurgiões do Hospital das Clínicas, para onde Souza havia sido socorrido, tentassem o reimplante.

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Imagens de uma câmera da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) na avenida Paulista foram enviadas ao 5.º DP (Aclimação) na segunda-feira (11) à tarde, mas não mostravam o local exato da colisão. Nelas, só é possível ver a ambulância chegando. Nesta terça-feira (11), uma empresa na Ricardo Jafet deve enviar imagens de uma câmera que pode ter flagrado Siwek jogando o braço no rio.

Ameaças

Os pais de Siwek disseram ter recebido ameaças de morte por telefone após o acidente. Segundo o advogado da família, Pablo Naves Testoni, desde o dia do atropelamento, a família do estudante está preocupada com a repercussão do caso.

— Não sei como, conseguiram o telefone da casa dele e a mãe, no domingo, atendeu telefonemas com ameaças, inclusive de morte. Ela ficou abalada. O pai é uma pessoa consciente e faz questão que o filho pague por aquilo que fez.

Umas cervejas

O homem que estava no mesmo carro que o estudante de psicologia Alex Kozloff Siwek, de 21 anos, quando ele atropelou um ciclista na avenida Paulista na manhã de domingo (10), afirmou que ambos ingeriram bebida alcoólica na balada antes do acidente. Em depoimento à Polícia Civil, Diego de Luna Gaio disse que cada um consumiu "três ou quatro cervejas".

Segundo policiais militares, Siwek "aparentava estar bêbado, alterado e tinha as roupas sujas de sangue" quando se entregou no 3.º Batalhão, no Jardim Saúde, na zona sul, após a ocorrência. Indiciado pela polícia por tentativa de homicídio, omissão de socorro, fuga do local do crime e por crime de trânsito, Siwek está preso no CDP Belém, na zona leste. Seu advogado, Cássio Paoletti, disse que vai pedir à Justiça a liberação do universitário.

— Não chegou ao nosso conhecimento nenhum laudo ou manifestação clínica ou laboratorial que pudesse indicar isso (a embriaguez).

Ele disse que o jovem "não parecia estar embriagado, só muito chocado".

 Assista ao vídeo:

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