Justiça determina que Abdelmassih seja transferido para hospital penitenciário

Ex-médico contraiu superbactéria e está internado no hospital Albert Einstein

Defesa de Abdelmassih ainda pode pedir que a internação do ex-médico seja prolongada
Defesa de Abdelmassih ainda pode pedir que a internação do ex-médico seja prolongada Agência Estado

A juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, da 1ª Vara de das Execuções Criminais da Comarca de Taubaté, determinou que o ex-médico Roger Abdelmassih, de 74 anos, seja tranferido para o Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, situado no bairro Carandiru, na zona norte de São Paulo.

Abdelmassih contraiu uma superbactéria e está internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde a última segunda-feira (7).

A Justiça autorizou que o condenado permanecesse internado até esta sexta-feira (11). Para que a internação seja prolongada, a defesa do ex-médico deveria entrar com um novo pedido para a Justiça.

Zeraik já havia decidido pela prisão domiciliar do detento. Uma das condições estabelecidas por ela foi o uso de tornozeleira eletrônica. Devido aos problemas apresentados no aparelho fornecido pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, o monitoramento de Abdelmassih foi interrompido e a juíza entendeu que ficou prejudicada, pelo menos no momento atual, a manutenção da prisão domiciliar do ex-médico.

A decisão prevê que o ex-médico seja transferido para o Presídio de Tremembé, no interior paulista, após a alta hospitalar. A Justiça comunicou a Polícia Civil da decisão, que pode ser cumprida a qualquer momento.

O caso

Abdelmassih foi preso no dia 19 de agosto de 2014, no Paraguai após investigação da reportagem da Record TV localizar o paradeiro do ex-médico. A prisão foi feita por agentes paraguaios da Secretaria Nacional Antidrogas, com apoio da Polícia Federal. Ele era procurado no Brasil, depois de ter sido denunciado por pacientes de cometer estupro em sua clínica de fertilização em São Paulo, entre os anos de 1995 e 2008.

O ex-médico, que era considerado um dos principais especialistas em fertilização no Brasil, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por crimes de estupro praticados contra 56 mulheres. Ele teve o registro profissional cassado em agosto de 2009.

Apesar da condenação, em novembro de 2010, Abdelmassih não foi preso imediatamente em virtude de um habeas corpus concedido pelo então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. Em fevereiro de 2011, porém, o habeas corpus foi cassado pelo próprio STF.

Nessa época, Abdelmassih já era considerado foragido da Justiça. Em janeiro de 2011, nova prisão foi decretada pela 16ª Vara Criminal da capital, baseada na solicitação de renovação do passaporte do próprio médico, o que configurava risco de fuga. Ele, no entanto, conseguiu fugir do país e passou a constar na lista de criminosos procurados pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).

Abdelmassih chegou a ser condenado a 278 anos de reclusão por 48 crimes de estupro contra 37 pacientes entre 1995 e 2008. Em 2014 sua pena foi reduzida para 181 anos em regime fechado. Desde agosto de 2014, Abdelmassih vinha cumprindo pena na Penitenciária II, de Tremembé, interior de São Paulo.