Menina de 9 anos que brincava de polícia e ladrão é atropelada por GCM no centro de SP

Acidente aconteceu nesta segunda-feira (17) na rua Helvetia, próximo a Cracolândia

Perna direita da criança atropelada por GCM após a primeira cirurgia
Perna direita da criança atropelada por GCM após a primeira cirurgia Acervo Pessoal

Uma menina de 9 anos foi atropelada por uma viatura da GCM (Guarda Civil Metropolitana) da cidade de São Paulo por volta das 19h30 desta segunda-feira (17) na rua Helvetia, entre as alamedas Dino Bueno e Barão de Piracicaba, na região da Luz.

A criança, que brincava de polícia e ladrão com uma irmã e um amigo, foi atropelada, segundo a mãe, enquanto atravessava a rua correndo. Ela teve uma fratura na tíbia da perna direita e lesões no pé esquerdo, joelho e cotovelo. Ela não tem previsão de alta hospitalar.

A garota fez uma cirurgia nesta terça-feira (18) e terá que passar por outro procedimento daqui a duas semanas. Francisca Nogueira, mãe da menina e de outras quatro crianças, explica.

— Ela teve que colocar pino no pé. Ficou um buraco em cima do pé e vão ter que tirar carne de outro pedaço do corpo para poder tampar.

Ela complementa sobre a gravidade do acidente.

— Não foi só uma batidinha, porque a menina se arrebentou toda.

Em nota, a Santa Casa de São Paulo informou que “uma criança de nove anos de idade, vítima de atropelamento, foi atendida e submetida a procedimento cirúrgico. Está estável, internada no Departamento de Pediatria, sem previsão de alta hospitalar.”

Menina atropelada fraturou a tíbia da perna direita e teve lesões no pé esquerdo
Menina atropelada fraturou a tíbia da perna direita e teve lesões no pé esquerdo Acervo Pessoal

O acidente foi na porta da casa da criança. A mãe, que estava preparando o jantar, conta que vizinhos que viram o acidente informaram que a viatura fez menção de abandonar o local sem prestar socorro médico.

— Eles tentaram fugir, mas as pessoas que estavam na rua começaram a gritar e eles deram ré e socorreram ela.

Ela acrescenta ainda que os agentes municipais contam uma versão diferente da apresentada pela filha.

— A história que ela contou pra mim é diferente da que os policiais contaram. Eles falaram que ela tava parada, passaram por cima do pé dela, ela se assustou e caiu. Ela falou pra mim que eles passaram por cima do pé dela e ela caiu bolando.

Outro ponto que a família da criança ressalta é a falta de atendimento médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

— A GCM trouxe eu e ela numa viatura comum para a Santa Casa.

A mãe conta que é corriqueiro ver carros policiais em alta velocidade na via.

— Todas as viaturas, não é só a GCM. Elas passam muito rápido, parece que vão prender ladrão lá na frente.

Francisca Nogueira, que está desde o dia do acidente no hospital com a filha, revela que não foi procurada por nenhuma autoridade para apurar o acidente. O boletim de ocorrência foi registrado no 2º DP, no bairro do Bom Retiro.

A rua Helvetia, até maio deste ano, era uma das principais vias do maior centro de comércio e consumo de drogas da cidade de São Paulo. A Cracolândia, em menos de dois meses se mudou para a praça Princesa Isabel e agora ocupa a esquina da rua Cleveland com a praça Júlio Prestes.

Procurada pelo R7, a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Paulo respondeu, em nota.

"A Guarda Civil Metropolitana lamenta o ocorrido e informa que a criança foi imediatamente socorrida pelos integrantes da viatura para o hospital da Santa Casa. No hospital foi constatada fratura no pé esquerdo, a menina ficou em observação, acompanhada pela mãe. A ocorrência foi conduzida ao 2° DP."

A reportagem fez as seguinte perguntas:

- Vocês sabem o nome dos agentes municipais envolvidos no acidente?

- Podem nos informar o que eles faziam na região?

- Segundo a mãe, os guardas levaram ela e a menor em uma viatura da GCM. Por que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) não foi acionado?

- Qual é o procedimento para casos como este?

- Há ainda o relato de moradores que viram o acidente de que os guardas, inicialmente, fizeram menção de abandonar o local sem prestar socorro e só depois deram ré e atenderam a vítima. Vocês podem nos explicar o que aconteceu após o atropelamento?

- Há relatos de viaturas da GCM, e também de polícia, que seguem por esta via em alta velocidade. Vocês têm ciência desta prática?

- Quais as providências que a Prefeitura vai tomar sobre o caso?

- Tem outras ocorrências de atropelamentos na região?

A Prefeitura de São Paulo também não se pronunciou sobre o alerta de atropelamentos na região da Cracolândia feito pelo R7 no dia 7 de julho. Na ocasião, por não ter havido nenhum acidente, a assessoria de imprensa não respondeu à seguinte pergunta: 

- Como a prefeitura está planejando controlar o risco de atropelamentos, principalmente por ônibus na curva da rua Cleveland?

A reportagem do R7 visitou o local na noite do dia 6 de julho e verificou o risco de acidentes. No novo fluxo, onde centenas de pessoas se concentram na região e ocupam a praça e também parte da rua, não há semáforos e em menos de uma hora três usuários quase se chocaram com veículos.

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