Ministério Público e Defensoria Pública abrirão inquérito para apurar ação na Cracolândia

Objetivo do inquérito é apurar se houve desvio de função da Guarda Civil Metropolitana na ação

Prefeitura de SP e o Governo do Estado realizaram operação para combater o tráfico na região
Prefeitura de SP e o Governo do Estado realizaram operação para combater o tráfico na região Werther Santana/Estadão Conteúdo

A Promotoria de Direitos Humanos do MP-SP (Áreas da Saúde Pública e Inclusão Social) e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo vão abrir um inquérito civil para apurar a atuação da GCM (Guarda Civil Metropolitana) na ação realizada na região da Cracolândia desde o último domingo (21).

A Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado realizaram uma megaoperação para combater o tráfico na região. As polícias Militar e Civil cumpriram mandados de busca e apreensão e mais de 50 pessoas foram detidas.

Em reunião realizada nesta segunda-feira (22) no MP-SP em que estiveram presentes a Defensoria Pública, os Conselhos Regionais de Medicina e Psicologia, o Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas e Álcool e organizações sociais foi avaliada até que ponto a situação da Cracolândia, após a ação de ontem, impede ou não a implementação do projeto Redenção.

Na semana passada, a prefeitura entregou ao Ministério Público a versão final do projeto, que deve substituir De Braços Abertos, da gestão de Fernando Haddad. De acordo com o promotor de Justiça da Saúde Pública, Arthur Pinto Filho, a notícia da ação feita na Cracolândia pegou a todos de surpresa.

— Recebemos a notícia da ação na região com pasmo. O projeto Redenção passou por um longo processo de discussão e estava pronto para entrar em vigor, era um projeto civilizatório, não previa, em hipótese nenhuma, essa ação mais forte na região, ou seja, tudo ao contrário do que está acontecendo agora. [...] A ideia era que tudo fosse feito de maneira paulatina.

Dispersão de usuários da Cracolândia era "esperada e planejada", diz secretário

O promotor destaca que os órgãos vão apurar se esta havendo desvio de função da GCM e também de quem partiu a ordem.

— A ação não resolveu o problema básico da Cracolândia que é a dependência. Enquanto não se resolver isso, não se resolve a questão, a droga vai continuar chegando, tanto na lá como em qualquer lugar do Brasil. O principal é tentar cuidar do usuário dependente, isso é que tem que ser feito. O que estava ruim, com a atuação policial, piorou muito.