MPL faz novo ato em dois lugares nesta quinta-feira

Polícia Militar repetirá estratégia de dispersão utilizada no último protesto contra reajuste

O MPL (Movimento Passe Livre) marcou para esta quinta-feira (14) o 3° ato contra o aumento das tarifas de metrô, trem e ônibus em São Paulo. A concentração será às 17h em dois pontos da capital: Largo da Batata, zona oeste, e Theatro Municipal, região central. O valor da passagem passou para R$ 3,80 no sábado (9).

Até o fim da tarde desta quarta-feira (13), mais de 7.000 pessoas haviam confirmado presença no evento criado pelo movimento no Facebook. No texto divulgado, o MPL criticou a atuação da PM (Polícia Militar) durante a última manifestação. Os ativistas acusam os policiais de “truculência despropositada” e garantem que o aumento da repressão vai provocar ainda mais resistência.

Ao menos sete pessoas — entre jornalistas e ativistas — ficaram feridas após a PM impedir, na terça-feira (12), que manifestantes iniciassem uma passeata pela avenida Rebouças, região oeste da capital.

Impasse histórico

Após os manifestantes serem dispersados com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo antes mesmo da saída da última passeata, o MPL decidiu que não vai informar antecipadamente o trajeto das manifestações organizadas pelo grupo. A medida confronta o secretário da SSP (Segurança de Segurança Pública), Alexandre de Moraes, que determinou que a Polícia Militar defina o percurso do protesto, caso ele não seja comunicado com antecedência pelo movimento.

O impasse entre a SSP e o MPL, que historicamente decide o percurso no decorrer da passeata, deve acirrar os ânimos entre os manifestantes e policiais nos próximos protestos, afirmou Luíze Tavares, porta-voz do movimento.

— A gente não vai fazer ato nenhum com o trajeto ditado pela polícia. A gente tem direito de fazer manifestação e a PM tem o dever de garantir. Eles podem mandar os caveirões (blindados), colocar a Rota na rua, que a gente não vai sair. Não tem repressão que vá acabar com essa jornada.

O secretário Alexandre de Moraes afirmou que a Polícia Militar vai garantir o direito de manifestação, mas sem que isso provoque prejuízos para quem não faz parte do ato.

— Deve haver o aviso prévio para que as autoridades, não só as policiais, possam organizar a cidade. A partir do momento em que não se comunica qual vai ser o trajeto, nós vamos estabelecer o traçado para evitar confusão com milhões de pessoas que não participam da manifestação.

PM lançou uma bomba a cada sete segundos na Paulista para dispersar o ato do MPL

A negativa do MPL de seguir o percurso determinado pela PM no protesto da avenida Paulista, na região central, foi o motivo apontado por Moraes para que a PM atuasse antes mesmo de a passeata começar, disse Luíze.

— Em todos os atos, há uma pessoa destacada pelo movimento para negociar o trajeto, mas não é uma prática informar o trajeto antes da concentração. O que aconteceu é que a PM fechou todas as ruas e só deixou a Consolação livre. Não teve diálogo, eles estavam irredutíveis.

Na visão de Moraes, a alternativa oferecida pela PM não impedia o direito de o MPL protestar.

— Em vez de quererem se manifestar, eles preferiram tentar romper o bloqueio e ir para a avenida Rebouças, que não estava preparada para manifestações. Em virtude disso, houve necessidade de dispersão.

Segundo afirma, o secretário estadual entrou em contato com prefeito Fernando Haddad (PT) pedindo que fosse feita uma limpeza extra na Consolação, para que não ficasse lixo na rua que pudesse ser queimado durante o ato.

A porta-voz do MPL classificou a atuação policial durante o protesto como "forte, desnecessária e gratuita".

— Com certeza eles tentaram intimidar, a polícia trabalha com a questão do medo. O primeiro diálogo que o governo estadual e a prefeitura querem propor é colocando dez policiais para cada manifestante na rua. Mas a gente acredita que isso não vai enfraquecer as próximas manifestações.

Questionado, Alexandre de Moraes considerou o aparato policial "absolutamente necessário". A SSP convidou o movimento juntamente do Ministério Público de São Paulo para uma reunião a partir das 9h desta quinta-feira. 

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