São Paulo

24/9/2013 às 10h39 (Atualizado em 24/9/2013 às 10h56)

Não acredito em laudo psiquiátrico feito após a morte, diz tio de Marcelo Pesseghini

Psiquiatra forense Guido Palomba entregou à polícia uma avaliação de sanidade mental do rapaz

Fernando Mellis, do R7

Na foto, Marcelo aparece de capuz; o comportamento teria sido influenciado por um jogo de videogame, segundo a polícia Reprodução/Rede Record

O tio de Marcelo Pesseghini, de 13 anos, disse não acreditar no laudo de sanidade mental que o psiquiatra Guido Palomba fez do adolescente, que é o único suspeito de ter matado os pais, a avó e a tia-avó, no começo de agosto, na zona leste de São Paulo. O documento tem 35 páginas e foi feito a pedido da polícia para tentar entender a motivação dos crimes e do suicídio do menino.

Para compor o laudo, Palomba entrevistou a médica Neiva Damasceno, que tratou da doença pulmonar que Marcelo tinha desde que nasceu. O psiquiatra cita como base uma internação na UTI a que o rapaz foi submetido aos dois anos e que teria causado complicações capazes de afetar o cérebro. Ele também se baseou em depoimentos colhidos pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) durante as investigações.

Sem ter lido ainda o documento, Fábio Luiz Pesseghini, irmão do pai de Marcelo, questiona a avaliação, que deverá ser anexada ao inquérito do caso.

— Eu acho que é inválido. Como é que faz um laudo baseado em depoimentos de outras pessoas?  Eu acho que não tem nada a ver pelo seguinte, a gente que teve convivência com o menino, a gente sabe que ele não tinha problema nenhum. Ele era bem esclarecido sobre os problemas [de saúde] que ele tinha. Vivia uma vida normal. Ele não tinha nenhuma neurose.

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O laudo cita pontos da investigação, como o fato de Marcelo ter sido ensinado pelo pai, que era sargento da Rota, a atirar com uma pistola .40, a mesma usada nos crimes. Fábio admite que o sobrinho usava uma arma de pressão, o que também é citado por Palomba, baseado em depoimentos, mas não rebate a afirmação de que o garoto sabia usar arma de fogo.

— Não tem nem lugar para você levar uma criança para atirar com uma arma de verdade.

O psiquiatra concluiu que o adolescente sofria de encefalopatia encapsulada ou sistematizada, doença que se desenvolve por falta de oxigenação no cérebro. O contato com a violência, seja por meio do videogame ou pelo fato de os pais serem policiais militares, teria, segundo o laudo, contribuído para a evolução do problema mental do garoto. No documento, o médico fala que o menino tinha uma espécie de delírio lúcido, que tem duas faces: “a do pensamento delirante e a de uma boa adaptação à realidade cotidiana”.

Fábio rebate, baseado no fato de o adolescente nunca ter transparecido qualquer comportamento que pudesse fazer a família aceitar a tese do psiquiatra.

— Para a gente, que conviveu com ele, ele nunca demonstrou essas fases de devaneio.

O tio do rapaz disse que, nesse primeiro momento, não pretende ler as conclusões do psiquiatra sobre o sobrinho e que deverá aguardar o fim do inquérito.

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