27 de Maio de 2012
|
Ana Cristina Pimentel falou que gesto feito pelo réu no júri foi só "para limpar a barra"
A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, disse, no início da tarde desta terça-feira (14), que não acredita que Lindemberg Alves tenha se arrependido de ter matado sua filha em 2008. Segundo ela, o suposto gesto feito pelo réu nesta manhã, quando ela sentou na cadeira das testemunhas e visto por jornalistas que estavam na sala, não representa arrependimento.
- Ele só quis limpar a barra dele.
Veja em vídeos a cobertura do 2º dia
Questionada sobre se costumava tratar Lindemberg como um filho - como Ronikson Pimentel dos Santos falou em seu depoimento - Ana Cristina Pimentel confirmou e disse que não vê o réu como um monstro.
- Monstro, não. Ele simplesmente matou a minha filha. Vejo ele como um assassino. Ele matou.
As afirmações foram feitas pela mãe de Eloá em frente ao Fórum de Santo André, no ABC, logo após o fim do depoimento de seu filho mais novo, Douglas Everton.
Ana Cristina foi dispensada de depor no julgamento que irá definir o destino de Lindemberg Alves. A dispensa foi solicitada pela própria advogada de defesa do réu, Ana Lucia Assad, que a havia convocado na segunda-feira (13). Após o anúncio da dispensa, houve bate-boca dentro da sala de audiência entre acusação e defesa. A acusação teria ficado revoltada com a decisão de Ana Lucia e disse que não dispensaria a testemunha. A defensora de Lindemberg, então, teria ficado com raiva e chegou a afirmar que, caso a testemunha não fosse dispensada, ela deixaria o julgamento. Nesse momento, Ana Lucia foi vaiada pela plateia que assiste ao júri.
Após o tumulto, a acusação decidiu aceitar a dispensa da mãe de Eloá. A advogada de Lindemberg solicitou então à juíza do caso, Milena Dias, que pedisse à plateia para ficar em silêncio durante todo o julgamento. Por volta das 11h50, o irmão mais novo de Eloá, Everton Douglas, começou a ser ouvido.
Depoimentos
Antes de Ana Cristina ser dispensada, prestaram depoimento nesta terça-feira o irmão mais velho de Eloá, Ronikson Pimentel dos Santos, e o advogado Marco Antonio Cabello. Ronikson falou por pouco mais de uma hora. Demonstrando bastante emoção em vários momentos, ele classificou Lindemberg Alves de “monstro” e disse que toda a família se sentiu traída por ele.
- Ele é um monstro, louco e agressivo.
O irmão afirmou que sempre foi contra o relacionamento de Lindemberg e Eloá - por ele ser bem mais velho que a adolescente (a diferença de idade entre eles era de seis anos) -, mas disse que acabou aceitando o namoro porque ela gostava do réu. Segundo o rapaz, a atitude de Lindemberg, além de um crime, foi uma traição a toda sua família porque seus pais gostavam muito dele e o acusado se dizia amigo.
Assista ao vídeo:
Primeiro dia de júri
Na segunda-feira (13), quatro pessoas listadas pela acusação foram ouvidas, desde a adolescente Nayara Rodrigues, que passou grande parte do sequestro ao lado da amiga Eloá, até o sargento Atos Valeriano, que conduziu o início das negociações com Lindemberg. Além deles, prestaram depoimento dois jovens que também estavam no apartamento quando o réu invadiu o local armado.
.Durante seu depoimento na segunda, Nayara afirmou que Lindemberg sempre teve intenção de matar Eloá. O depoimento começou por volta das 15h e terminou duas horas depois.
- Ele falou que iria matá-la e sair andando, se Eloá estivesse sozinha no apartamento.
Segundo Nayara, na época do crime, Lindemberg chegou a contar ao pai de Eloá de sua intenção de matar a adolescente então com 15 anos.
- Ele falou para o pai [da Eloá] que se ela não fosse dele não seria de ninguém [...] A intenção dele era matá-la, não tinha muito que negociar. Ele era irredutível.
Já o policial Atos Valeriano contou que Lindemberg atirou contra ele “para provar que não era bonzinho”. De acordo com o PM, essa foi a resposta que obteve do réu quando o questionou sobre o disparo. A partir de então, o policial passou a se esconder atrás de uma parede durante toda a negociação no período do cárcere em 2008. Solicitado por Lindemberg para que mostrasse o rosto, o sargento foi alvo de um novo disparo. Valeriano lembrou que essa segunda bala atingiu a parede cerca de 30 cm acima de sua cabeça e que, na ocasião, pôde sentir areia caindo sobre seu cabelo.
Ainda de acordo com Valeriano, Lindemberg alterava dois estados de humor. Em alguns momentos, ele o ofendia e xingava. Em outras horas, conversava. Entretanto, segundo o policial, sua intenção quanto ao desfecho do sequestro foi sempre a mesma.
- Desde o primeiro momento, ele disse que iria matar os quatro reféns e se matar. Após as duas primeiras vítimas serem liberadas, dizia que iria matar as duas [restantes, Eloá e Nayara] e se matar.
Iago de Oliveira, colega de Eloá que também prestou depoimento na segunda, confirmou que o réu ameaçou de morte todos que estavam no apartamento em Santo André na tarde de 13 de outubro de 2008.
- Teve uma hora que ele disse que ninguém sairia vivo de lá. Ele apontava a arma para todos nós. Outra hora ele dizia que mataria Eloá e depois se mataria.
Após o término do primeiro dia de julgamento, Lindemberg foi levado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, onde passou a noite.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7