Julia Chequer/R7Público formou fila nesta quarta-feira para assistir ao julgamento do caso Isabella no Fórum de Santana
27 de Maio de 2012

Rosangela Monteiro voltou a afirmar que exames comprovaram que Nardoni jogou Isabella
- Ele [Alexandre Nardoni] defenestrou a vítima [Isabella].
Veja a cobertura completa do julgamento do caso Isabella
Defenestrar é o ato de jogar pela janela. Rosangela respondia a perguntas da defesa do casal Nardoni após o recesso para almoço. O julgamento foi retomado às 14h42 e, às 16h15, ela ainda respondia às questões da assistente da defesa Roselle Soglio.
A perita disse que se baseou em informações do inquérito policial - que não apontava outra pessoa na cena do crime – para também concluir que o pai de Isabella a arremessou perto do sofá, onde havia gotas de sangue. O casal Nardoni nega a autoria do crime e defende que uma terceira pessoa - não identificada – matou a criança.
Ela relatou que foram feitas simulações com um modelo com o mesmo porte de Alexandre - altura e peso - que usava camiseta com fibra semelhante à usada pelo pai de Isabella no dia do crime. Para simular, foi colocado pó de grafite na tela. A perita disse ter encontrado os seguintes cenários:
1- No primeiro cenário, o modelo passou a cabeça através da tela para ver o que havia lá embaixo. As manchas eram incompatíveis às encontradas na camiseta original.
2- No segundo, o modelo tentou passar os dois braços e a cabeça, mas não conseguiu. Ele procurou então passar o corpo da maneira possível - um braço, a cabeça e parte do tronco. O resultado também foi incompatível.
3- No terceiro cenário, o modelo passou os dois braços, simulando que arremessaria um objeto. O resultado deu semelhante.
4- Nesta última simulação, o modelo passou os dois braços com um peso de 25 kg e o resultado foi compatível. Neste caso, teve de virar a cabeça para o lado direito.
Ao longo da manhã desta quarta-feira, a perita disse que a cena do crime do caso Isabella foi uma das cenas mais preservadas em que já atuou.
Os formatos das gotas de sangue no piso do apartamento também mostravam, segundo a perita, que haviam sido parcialmente apagadas. Por isso, diz Rosangela, foi necessário usar um reagente que pudesse apontar outras manchas.
Sangue de Isabella
A perita explicou que é uma das poucas profissionais habilitadas a usar o reagente Blue Star, de fabricação francesa, no país. Questionada se alguém da bancada da defesa é treinado para usar tal produto, ela disse primeiramente que não e, depois, afirmou que conhecia "a maioria das pessoas que são treinadas". A pergunta feita pelo promotor Francisco Cembranelli pareceu ser uma provocação à advogada Roselle Soglio, destacada pela defesa como assistente técnica.
Questionada pelo promotor Cembranelli sobre a existência do sangue no carro dos Nardoni e na cena do crime, ela confirmou que havia sangue humano na alça da cadeira de bebê do automóvel do casal, mas que estava misturado a material genético de outra pessoa. Ela afirmou que a mistura era de Isabella e provavelmente de um dos dois irmãos dela - podendo ser sangue ou saliva.
A perita encontrou ainda outras duas manchas no carro que deram positivas para sangue humano, mas que, pela quantidade, não foi possível dizer de quem era. Essas manchas estavam na parte de trás do banco do motorista e no chão também atrás do banco do motorista.
Rosangela explicou que o reagente usado, o Blue Star, apenas indica que uma mancha pode ser de sangue. Para ter certeza, a perita disse que tem de usar um produto complementar, Hexagon Obit, que mostra se o sangue é humano ou não. A perita disse ter usado essa técnica conjunta de produtos no carro e no apartamento.
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