27 de Maio de 2012
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Ronikson Pimentel foi o primeiro a depor neste segundo dia do julgamento
O irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, Ronikson Pimentel dos Santos, falou por pouco mais de uma hora no que foi o primeiro depoimento deste segundo dia de julgamento do caso Eloá, no Fórum de Santo André, no ABC, paulista. Demonstrando bastante emoção em vários momentos, Ronikson classificou Lindemberg Alves de “monstro” e disse que toda a família se sentiu traída por ele.
Veja em vídeos a cobertura do 2º dia
- Ele é um monstro, louco e agressivo.
Veja fotos do 2º dia do júri
O irmão afirmou que sempre foi contra o relacionamento de Lindemberg e Eloá - por ele ser bem mais velho que a adolescente (a diferença de idade entre eles era de seis anos) -, mas disse que acabou aceitando o namoro porque ela gostava do réu. Segundo o rapaz, a atitude de Lindemberg, além de um crime, foi uma traição a toda sua família porque seus pais gostavam muito dele e o acusado se dizia amigo.
- Minha mãe gostava de Lindemberg como se fosse filho [...] Mudou totalmente a nossa vida, Ficou um vazio na família. Apesar de tudo, estamos reconstruindo. A ferida não sara.
Ainda de acordo com o irmão de Eloá, o relacionamento entre ela e Lindemberg era bastante conturbado, com sua irmã sempre “chorando pelos cantos” por causa de brigas, e o temperamento do ex-amigo sempre foi raivoso.
- Ele sempre arrumava confusão nos jogos de futebol. Não tinha uma partida de futebol que ele não arrumava briga. Ele era brigão.
O que você lembra do caso Eloá?
Outro momento em que Ronikson se emocionou bastante foi quando a acusação falou sobre a autorização dada pela mãe para a doação dos órgãos de Eloá após sua morte. Em vários momentos do depoimento do ex-amigo, Lindemberg chacoalhou a cabeça em sinal de negativa.
O irmão mais velho de Eloá foi interrogado pela promotoria das 9h20 às 10h15 desta terça-feira, e pela defesa, das 10h15 até as 10h25. Por volta das 10h30, começou o depoimento do advogado Marco Antonio Cabello, que participou das negociações durante o cárcere das adolescentes em 2008. O depoimento da primeira testemunha de defesa durou cerca de 20 minutos.
Antes do início deste segundo dia de julgamento, a advogada de Lindemberg, Ana Lucia Assad, informou que a ordem dos depoimentos será definida por ela.
Chegada ao fórum
Lindemberg Alves chegou ao Fórum de Santo André por volta das 8h30. Ele deixou o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, por volta das 8h. Também nesta terça, o esquema de segurança formado pela Polícia Militar no entorno do Fórum de Santo André foi montado mais cedo. Por volta das 6h, os acessos ao fórum já estavam bloqueados e carros da PM circulavam pela região. No primeiro dia do júri, a segurança começou a ser montada mais tarde, quando curiosos e jornalistas já se concentravam em frente ao fórum.
Primeiro dia do júri
Na segunda-feira (13), quatro pessoas listadas pela acusação foram ouvidas, desde a adolescente Nayara Rodrigues, que passou grande parte do sequestro ao lado da amiga Eloá, até o sargento Atos Valeriano, que conduziu o início das negociações com Lindemberg. Além deles, prestaram depoimento dois jovens que também estavam no apartamento quando o réu invadiu o local armado.
Veja fotos do 1º dia do júri
Já o policial Atos Valeriano contou que Lindemberg atirou contra ele “para provar que não era bonzinho”. De acordo com o PM, essa foi a resposta que obteve do réu quando o questionou sobre o disparo. A partir de então, o policial passou a se esconder atrás de uma parede durante toda a negociação no período do cárcere em 2008. Solicitado por Lindemberg para que mostrasse o rosto, o sargento foi alvo de um novo disparo. Valeriano lembrou que essa segunda bala atingiu a parede cerca de 30 cm acima de sua cabeça e que, na ocasião, pôde sentir areia caindo sobre seu cabelo.
Ainda de acordo com Valeriano, Lindemberg alterava dois estados de humor. Em alguns momentos, ele o ofendia e xingava. Em outras horas, conversava. Entretanto, segundo o policial, sua intenção quanto ao desfecho do sequestro foi sempre a mesma.
- Desde o primeiro momento, ele disse que iria matar os quatro reféns e se matar. Após as duas primeiras vítimas serem liberadas, dizia que iria matar as duas [restantes, Eloá e Nayara] e se matar.
Iago de Oliveira, colega de Eloá que também prestou depoimento na segunda, confirmou que o réu ameaçou de morte todos que estavam no apartamento em Santo André na tarde de 13 de outubro de 2008.
- Teve uma hora que ele disse que ninguém sairia vivo de lá. Ele apontava a arma para todos nós. Outra hora ele dizia que mataria Eloá e depois se mataria.
Após o término do primeiro dia de julgamento, Lindemberg foi levado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, onde passou a noite. O réu estava preso na penitenciária de Tremembé, cidade a 147 km da capital paulista, desde o fim do cárcere.
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