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publicado em 30/10/2009 às 21h56:

“Me senti um bicho, uma criminosa”, diz estudante da Uniban

Geisy Vila Nova Arruda foi hostilizada na faculdade porque foi assistir às aulas de minivestido

Eduardo Marini, do R7

Geisy Vila Nova Arruda, 20 anos, 1,70 metro, loira, olhos verdes, é a terceira dos quatros filhos de um casal de classe média baixa de Diadema, cidade do ABC paulista. Estuda no primeiro ano de Turismo da Universidade Bandeirante, campus São Bernardo do Campo, também no ABC. Na quinta-feira (22), ela foi vítima de um dos mais insanos atos coletivos de que se tem notícia nos últimos tempos. Centenas de estudantes, inclusive mulheres, a atacaram com palavrões, termos chulos e ameaças de agressão e de estupro pelo simples fato de ela usar um minivestido. Nesta entrevista - concedida ao R7 na sexta-feira (30) com o mesmo vestido usado no episódio que ganhou as páginas do YouTube -, Geisy lembra que sentiu “medo e vergonha”. E alerta: “vou processar muita gente”.

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Veja o vídeo feito por alunos dentro da universidade.

R7 – Os gritos e palavrões começaram assim que você chegou ao campus?
Geisy Vila Nova Arruda – Não. Cheguei por volta de 19h50 e fui direto para a sala. Na entrada, ouvi um ou outro comentário, um “gostosa” aqui, um outro ali, mas nada grave ou fora do aceitável. A coisa começou a ficar feia quando fui ao banheiro, por volta de 20h40. Meninas me olharam muito feio no banheiro. Se alguma disse algo, não ouvi. Mas, na volta para a sala, começaram com os palavrões. Alguns tentaram colocar o celular embaixo do meu vestido para fotografar.

R7 – Você voltou para a sala de aula?
Geisy – Sim. E trancamos a porta. Foi quando a situação começou a sair de controle. Eles chutavam a porta, batiam na janela, tentavam filmar tudo com os celulares. Gritavam: “puuu-ta, puuu-ta”, “deixem ela com a gente”, “nós vamos estuprar”, “vamos linchar” e outras coisas terríveis. Tive medo e muita vergonha. Era como se eu fosse um bicho, uma criminosa. Fiquei em estado de choque. Não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo. Ainda estou assustada. Diga-me uma coisa: se eu fosse prostituta, existiria uma justificativa para me agredirem? Então está correto sair pelas ruas identificando prostitutas para bater ou cometer estupro só pelo fato de elas serem prostitutas? Claro que não. Isso é preconceito, retrocesso, burrice, estupidez. Uma falta total de civilidade. 

R7 – Este seu vestido me parece normal. Diante do que é possível ver em algumas faculdades urbanas brasileiras, diria que é até comportado...
Geisy – É o que eu penso.

R7 – Você já foi à aula com roupas semelhantes?
Geisy – Claro. Com vestidos até mais decotados e ousados. Tenho fotos no Orkut com roupas bem mais curtas. Eu me visto dessa forma. Gosto de ser assim. É um direito que tenho.

R7 – E aí?
Geisy – A faculdade cometeu vários erros. Demorou muito a mandar seguranças para a sala. Um deles, em vez de pensar em como resolver a situação, passou a me repreender. Fazia perguntas do tipo “francamente: isso é roupa para vir estudar?” e “você não tem vergonha?”. Imagine a situação: as pessoas da sala com medo e os caras pensando em repreensão, em falso moralismo. O que eles têm a ver com a maneira como me visto? Quero lembrar duas coisas importantes. Primeiro: a polícia foi lá para proteger a minha vida, a do nosso professor e a dos meus colegas de turma, e não para me expulsar do campus, como muitos disseram. Segundo: minha turma toda ficou ao meu lado. Ninguém apoiou aquela loucura.

R7 – A coisa piorou mesmo na saída da sala, não é mesmo?
Geisy – Isso. Deram-me um jaleco para vestir. Enquanto eu andava escoltada pelos policiais, o pessoal gritava feito louco. Um detalhe curioso: os homens ficaram mais descontrolados e as ofensas verbais aumentaram quando as mulheres se aproximaram e fizeram críticas. Acho inveja de mulher, quando quer competir ou criticar outra mulher, a pior coisa do mundo. Nada é mais terrível. Muitas das que gritaram pareciam estar era colocando para fora uma inveja pelo meu jeito livre e alegre de ser. Uma das mais enlouquecidas era uma menina que, inclusive, pega ônibus comigo. Berrava de forma descontrolada. O mais curioso é que, no ônibus, ela sempre fica quietinha.

R7 – E os rapazes?
Geisy – Eles pareciam possuídos. Tinham maldade nos olhos. Gritavam: “vamos filmar e colocar no YouTube”. Naquela noite, quando cheguei em casa, fui direto para Internet. Não deu outra: estava lá, no YouTube.


R7 – Quem você vai processar?
Geisy - Já tenho advogado. Vou processar e pedir indenização a todos os que colocaram essa coisa na Internet, com aqueles títulos deploráveis, palavrão e tudo o mais. Eles postaram lá para me humilhar, mas a imprensa virou o jogo e agora estão todos com medo das consequências. E elas, se Deus quiser, serão duras. Se meu advogado julgar oportuno, deverei processar a Uniban, os alunos que forem identificados por minhas testemunhas e até professores que disseram o que não deveriam ter dito. Como me chamar de fulana e de outras coisas piores.

R7 – Como era seu relacionamento na Uniban antes do caso?
Geisy
– Normal. Nunca tive nada grave com ninguém.

R7 – Acha que fariam isso contigo se você fosse de família rica ou filha de alguém influente na universidade?
Geisy – De jeito nenhum.

R7 – Você agora ficou conhecida. Deverá receber convites...
Geisy – Já entendi o que você quer saber. Posar nua eu não aceito. Reality show, para mim, seria monótono. Não agüento ficar muito tempo trancada. Mas, se for algo bom, quem sabe?

R7 – Como espera ser recebida de volta na faculdade?
Geisy – Não preciso que as pessoas me peçam desculpa, mas queria voltar de cabeça erguida e ser respeitada. Se por acaso alguém me aplaudir, vou gostar.

 
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