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31 de Outubro de 2014

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publicado em 10/07/2011 às 10h39:

Ação de neonazistas é igual à de grupos
de extermínio policial, diz psicanalista

Impunidade favorece a ação de grupos de intolerância, dizem ativistas negros

Mônica Ribeiro e Ribeiro, do R7

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A violência empregada por grupos neonazistas, que pregam o extermínio de minorias como judeus, negros, gays e nordestinos, é idêntica a de grupos de extermínio policial em periferias de grandes centros urbanos. Para o psicanalista Jorge Broider, esses atos servem de porta-voz do que há de mais intolerante na sociedade.

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- A ação desses grupos não difere da de grupos de extermínio policiais. Essas maneiras de eliminar o que incomoda aparecem de formas muito diferentes na sociedade. Numa situação limite, podem levar a diversos tipos de crime.

O último ataque promovido na semana passada por neonazistas na zona sul de São Paulo, em que um grupo de jovens negros foi agredido, suscitou, mais uma vez, o debate sobre a ação das gangues que pregam a pureza racial no país.

Coordenador nacional do MNU (Movimento Nego Unificado), Reginaldo Bispo afirma que a própria violência policial contra jovens negros colabora para dar a sensação de liberdade para quem pratica crimes ideológicos, como os neonazistas.

- Eles [neonazistas] agem com a certeza de que não vão ser importunados, ainda mais porque a própria polícia faz isso o tempo todo. É só relembrar o caso do estudante de história no Rio Grande do Sul e dos motoboys em São Paulo. Não é novidade, então, que eles tirem as manguinhas de fora.

Reflexo do cotidiano

De acordo com o coordenador do curso de pós-graduação em Psicossociologia da Juventude e Políticas Públicas da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), esses traços de intolerância podem aparecer em discursos presentes no cotidiano, como o famoso “ladrão tem que morrer” ou em linchamentos.

No caso das gangues neonazistas, que são compostas por jovens entre 15 e 30 anos, as agressões coletivas – e nunca individuais – mostram a necessidade característica de grupos fascistas, que é a de não ter uma personalidade própria.

- Muitas vezes, percebemos também que o discurso dos pais desses garotos também legitima as agressões. A violência é porta-voz de algo que está na sociedade, que é a intolerância, o pensamento discriminatório, o racismo, a criminalização da diferença, a homofobia... Tudo isso está presente no tecido social.

Segundo o sociólogo Sergio Adorno, do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP, o surgimento de grupos intitulados skinheads também aparecem dentro de um cenário de insegurança social e desestruturação do mercado de trabalho, como o que acontece na Europa.

Subestimação

O jornalista, advogado e presidente da ONG ABC Sem Racismo, Dojival Vieira, cita um outro fator que ele considera importante para que as ações desses grupos ocorram. Para ele, o Estado subestima a capacidade de organização paramilitar das gangues.

- Há grupos que agem à luz do dia. O histórico de violência e morte sobre esses grupos já deveria ter provocado o desmanche dessas ações pelo aparelho policial. A polícia paulista é a mais equipada do Brasil. Basta agir, fazer o papel e entregar esse pessoal à Justiça.

Ouvida pelo R7 na última terça-feira (5), a delegada titular do Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), Margarete Barreto, disse que o ataque aos jovens no dia 3 foi o primeiro caso de tentativa de homicídio contra negros registrado na delegacia especializada.

O departamento, vinculado ao DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) da Polícia Civil de São Paulo, investiga cerca de 130 casos de intolerância religiosa, esportiva e racial.

Pelo menos 25 gangues já foram identificadas. Entretanto, segundo Margarete, as ações desses grupos não são divulgadas para não atrapalhar as investigações.

Na ocorrência do último domingo, quatro criminosos conseguiram fugir e outros cinco foram detidos. Com o grupo, foram apreendidos correntes, punhais, canivetes, soco -inglês, camisetas, jaquetas e camisas de idolatria a Adolf Hitler.

Durante depoimento no 5º Distrito Policial (Aclimação), as vítimas contaram que, enquanto recebiam socos e pontapés, seus agressores gritavam a seguinte frase: "Negros, nordestinos, filhos da p., somos skinheads e vamos matar vocês, seus zumbis".

O grupo vai responder por tentativa de assassinato, injúria racial e formação de quadrilha.

Assista ao vídeo: 

 


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