Julia Chequer/R7Advogados de defesa dos Nardoni pediram para juiz Maurício Fossen não dispensar Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella
27 de Maio de 2012

Roberto Podval afirmou que pode pedir a juiz para confrontar testemunhos
Podval afirmou que pediu ao juiz que não dispensasse a mãe de Isabela, que prestou depoimento nesta segunda, porque talvez seja necessário contrapor alguma afirmação dela com afirmações dos Nardoni. Maurício Fossen, que preside o julgamento, concordou e Ana Carolina Oliveira não foi dispensada. Ela deve dormir esta noite no fórum e segue à disposição para participar do julgamento, se a defesa quiser.
Roberto Podval também criticou a postura de Ana Carolina, que chamou de “assistente de acusação” e não de testemunha. Segundo o advogado, a mãe de Isabella contratou uma advogada (Cristina Christo, assistente de acusação) para fazer à mãe de Isabella as perguntar que ela queria que fossem feitas.
Questionado sobre se o casal foi prejudicado com a escolha do júri - composto por maioria de mulheres -, Podval disse que o objetivo da defesa não era de ter mais homens ou mulheres, mas de que os jurados fossem "novos na condição de jurados". O medo do advogado era de que pessoas que já foram jurados anteriormente no Fórum de Santana pudessem ter tido algum tipo de contato anterior com o promotor Francisco Cembranelli. De acordo com ele, com a configuração final do júri, a defesa conseguiu o que desejava: pelo menos cinco dos jurados são "novos em julgamentos".
O promotor Francisco Cembranelli afirmou que o pedido da defesa do casal Nardoni de não dispensar a mãe de Isabella do julgamento "foi desumano". Podval rebateu dizendo que não foi insensível, tanto que não arrolou Ana Carolina Oliveira como testemunha.
Para Podval, ainda é muito cedo para avaliar o andamento do julgamento, mas ele disse estar "muito realista" porque o casal Nardoni já chegou ao júri condenado pela opinião pública.
Sobre a discussão relacionada ao pedido de adiamento do julgamento, o advogado falou que antes do início da sessão despachou com o juiz Maurício Fossen e reforçou as solicitações que já haviam sido feitas antes desta segunda para que a utilização de alguns recursos, como a animação gráfica que mostraria a versão da defesa sobre a noite do crime, fossem usados no júri. O advogado afirmou que tinha de fazer a solicitação naquele momento porque ele não poderia abrir mão dessa oportunidade, caso precise entrar futuramento com recurso pedindo a anulação do julgamento.
Julgamento
Terminou, às 21h50, o primeiro dia do julgamento do caso Isabella Nardoni no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo. O júri foi encerrado com o depoimento de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni. Ana Carolina Oliveira foi a única das 16 testemunhas do julgamento a depor nesta segunda. Inicialmente, tinham sido convocadas 23 pessoas para prestar depoimento, mas nesta tarde, a defesa dispensou o depoimento de seis delas e a acusação de uma. As testemunhas dispensadas pela defesa foram Geralda Afonso Fernandes, vizinha do prédio onde morava o casal Nardoni; Paulo Vasan Geu, escrivão de policia do 9º Distrito Policial; Luiz Alberto Spinola de Castro, investigador de polícia do 9º Distrito Policial; Cláudio Colomino Mercado, agente policial do 9º Distrito Policial; Adriana Mendes da Costa Porusselli, escrivão policial do 9º Distrito Policial; e Walmir Teodoro Mendes, investigador policial do 35º Distrito Policial.
A acusação também abriu mão de ouvir a avó materna de Isabella Nardoni, Rosa Cunha de Oliveira.
Atrasos
O júri começou e terminou com atraso em relação ao horário previsto e anunciado pela assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo. A previsão era de que o julgamento tivesse início às 13h desta segunda, mas a sessão só começou às 14h17. Já o término estava previsto às as 21h, mas só ocorreu 50 minutos depois.
A etapa inicial deste primeiro dia do julgamento do caso Isabella foi a escolha dos jurados. Das 40 pessoas convocadas a comparecer ao Fórum de Santana, sete foram escolhidas. O sorteio, de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, começou às 15h40 e durou cerca de nove minutos. Quatro mulheres e três homens irão decidir se o casal é inocente ou culpado pela morte de Isabella Nardoni.
Após a escolha, o juiz Maurício Fossem decretou um recesso de almoço. O intervalo terminou às 17h, quando foi retomado o julgamento com a leitura da pronúncia por Fossen. A leitura é feita para que as pessoas presentes no julgamento entendam porque a Justiça decidiu pelo júri popular. Como o processo do caso Isabella é extenso, a leitura durou mais de uma hora. Só após isso, teve início o depoimento de Ana Carolina Oliveira.
Na terça-feira (23), o julgamento deve ser retomado por volta de 9h. Após o final dos depoimentos, os réus serão interrogados. Depois disso, serão feitos os debates da defesa e da acusação.
O juiz então consulta os jurados sobre as dúvidas e formula as perguntas que eles devem responder sobre o crime. Essas sete pessoas se reúnem então em uma sala secreta para votação. A sentença é o último passo. Pode ser que a decisão só saia na próxima sexta-feira (26).
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