Julia Chequer/R7Ana Carolina Oliveira é primeira vítima a depor no julgamento do casal Nardoni
27 de Maio de 2012

Mãe de Isabella chorou pelo menos quatro vezes ao falar de morte da filha Isabella
- Eu ajoelhei na frente dela e coloquei a mão no coraçãozinho dela, que batia bem rápido. O Alexandre dizia que invadiram o prédio (...) Ele dizia que tinha ladrão, que tinham invadido o prédio. A Anna Jatobá gritava demais. O grito dela começou a me irritar. E o resgate não chegava... Pedi para ela calar a boca. Não aguentava mais ela gritando. Ela me xingou e disse que aquela situação estava acontecendo por causa da Isabella.
Nesse momento, ela chorou pela segunda vez. Em seguida, ela contou como foi o caminho na ambulância até a Santa Casa de Misericórdia. A terceira vez que a mãe de Isabella se emocionou foi quando recebeu a notícia, já no hospital, que a criança tinha morrido. Em seguida, ainda chorou ao lembrar dos momentos logo após a morte.
- Saí [dos hospital] porque não conseguia ficar em pé.
Ana Carolina Oliveira esta sentada no plenário do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, de costas para os réus Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Ela respondeu mais de 25 perguntas do promotor Francisco Cembranelli. A estratégia da acusação foi fazer perguntas relacionadas ao ciúme de Anna Carolina Jatobá e a situações de descontrole de Alexandre Nardoni.A madrasta de Isabella está posicionada na sala atrás de uma pilastra, e as pessoas que assistem ao julgamento não conseguem ver o rosto dela. Ela está com os cabelos castanhos escuros, divididos ao meio. Ao lado de Jatobá está Alexandre Nardoni, pai de Isabella. Ele usa óculos de grau e está com a pele avermelhada pelo sol. Os réus não esboçaram reação durante o depoimento.
Ciúme e ameaças de morte
Questionada pelo promotor Francisco Cembranelli, Ana Carolina relatou histórias sobre ciúme de Anna Jatobá e agressividade de Alexandre. Ela afirmou que, em uma ocasião, ele a ameaçou de morte, o que provocou o registro de um boletim de ocorrência na polícia.
Segundo a mãe de Isabella, Alexandre não concordou com a matrícula da menina – então com cerca de quatro meses – em um curso de natação Alexandre, disse Ana Carolina, foi à casa dela, muito nervoso. Os dois chegaram a se empurrar.
- Ele dizia para a minha mãe: ‘Sai que meu assunto é com você.’ Ele disse que voltou armado, que ia matar a minha mãe. (...) Ele ficou transtornado, disse que ia matar a minha mãe e me matar também.
A mãe de Isabella disse que, durante uma festa de família na casa da avó dela, Alexandre não gostou da brincadeira de um primo, que na hora despedida teria dito a ele: ‘Por falta de tchau, adeus’. Alexandre saiu da festa e voltou, pouco depois, sem camisa e muito irritado, chamando o primo de Ana Carolina para a briga.
Questionada por Cembranelli, Ana Carolina disse que a mãe de Alexandre contou, certa vez, que o pai de Isabella estava com o outro filho, Pietro, no colo e, irritado porque o menino tinha machucado Isabella, soltou a criança no chão. Ana Carolina contou que Alexandre se interessava pouco pela vida escolar de Isabella e costumava atrasar pagamento de pensão alimentícia de R$ 200 e de material escolar.
O promotor também frisou, por meio de perguntas, brigas supostamente provocadas pela madrasta da criança. Em uma ocasião, Isabella passaria uma semana na casa dos Nardoni no Guarujá, no litoral de São Paulo. Quando foi pegar Isabella na casa de Ana Carolina, Anna Jatobá quis saber detalhes do relacionamento da mãe e do pai de Isabella quando eram namorados. Nessa época, eles já estavam separados há um ano.
- Eu disse para ela que se a gente [Ana Carolina e Alexandre] quisesse ficar junto, não era ela que ia impedir. Ela começou a alterar a voz na porta da minha casa. Pedi para ela diminuir o tom de voz.
Cerca de uma hora e trinta minutos depois, a mãe e a irmã de Alexandre telefonaram brigando com ela. A mãe de Isabella disse não entender o motivo e decidiu ir até o Guarujá buscar a filha. Ela chegou a ligar para o 190, telefone da Polícia Militar, porqu os Nardoni não queriam devolver a menina. Depois de conversar com mãe e irmã, Ana Carolina afirmou ter concluído que Anna Jatobá tinha jogado Ana Carolina contra os Nardoni.
- Ela tinha feito o maior tumulto para causar a briga.
Ana Carolina afirmou que, em diversas ocasiões, a mãe de Alexandre, Dona Cida, relatou que Anna Jatobá tinha ciúmes dele. A mãe de Isabella também disse ter ouvido que a madrasta “teria jogado o filho no berço e voado para cima dele”. Segundo ela, Isabella contou que pegou o bebê no colo, porque o casal estava brigando.
Em outra ocasião, a avó paterna relatou que Anna Jatobá estava com o braço enfaixado, porque durante uma briga, ela havia quebrado uma janela com um soco. E, por fim, que Dona Cida contou temer que Isabella dormisse sem a presença de Alexandre na casa em que vivia com Anna Jatobá.
Julgamento
Além da mãe de Isabella, outras 15 testemunhas serão ouvidas pela Justiça, a maior parte delas, de defesa. Inicialmente, tinham sido convocadas 23 pessoas para prestar depoimento, mas nesta tarde, a defesa dispensou o depoimento de seis delas e a acusação de uma. As testemunhas dispensadas pela defesa foram Geralda Afonso Fernandes, vizinha do prédio onde morava o casal Nardoni; Paulo Vasan Geu, escrivão de policia do 9º Distrito Policial; Luiz Alberto Spinola de Castro, investigador de polícia do 9º Distrito Policial; Cláudio Colomino Mercado, agente policial do 9º Distrito Policial; Adriana Mendes da Costa Porusselli, escrivão policial do 9º Distrito Policial; e Walmir Teodoro Mendes, investigador policial do 35º Distrito Policial.
A acusação também abriu mão de ouvir a avó materna de Isabella Nardoni, Rosa Cunha de Oliveira.
Previsto para começar às 13h desta segunda, o julgamento do casal teve início com mais de uma hora de atraso, às 14h17. A primeira etapa do processo foi a escolha dos jurados. Das 40 pessoas convocadas a comparecer ao Fórum de Santana, sete foram escolhidas. O sorteio, de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, começou às 15h40 e durou cerca de nove minutos. Quatro mulheres e três homens irão decidir se o casal é inocente ou culpado pela morte de Isabella Nardoni.
Após a escolha, o juiz Maurício Fossem decretou um recesso de almoço. O intervalo terminou às 17h, quando foi retomado o julgamento com a leitura da pronúncia por Fossen. A leitura é feita para que as pessoas presentes no julgamento entendam porque a Justiça decidiu pelo júri popular. Como o processo do caso Isabella é extenso, a leitura durou mais de uma hora. Só após isso, teve início o depoimento de Ana Carolina Oliveira.
Na terça-feira (23), o julgamento deve ser retomado por volta de 9h. Após o final dos depoimentos, os réus serão interrogados. Depois disso, serão feitos os debates da defesa e da acusação.
O juiz então consulta os jurados sobre as dúvidas e formula as perguntas que eles devem responder sobre o crime. Essas sete pessoas se reúnem então em uma sala secreta para votação. A sentença é o último passo. Pode ser que a decisão só saia na próxima sexta-feira (26).
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