Neste fim de semana, a capital paulista será novamente palco de uma das festas que tenta manter viva uma tradição do carnaval brasileiro. O Pholia, festa de rua, contará com desfile de blocos e bandas, que vão andar do largo General Osório ao parque da Luz, na região central de São Paulo, nos dias 6 e 7 de fevereiro.
Embora a festa complete 20 anos em 2010, só agora começou a fazer parte de um projeto maior de resgate cultural do carnaval paulistano, o Carnacentro, criado pela ABBC (Associação de Bandas, Blocos e Cordões Carnavalescos do Município de São Paulo) como uma crítica ao que chama de atual “comercialização” do Carnaval,
Depois de começar uma mostra de filmes temáticos em 19 de janeiro, o Carnacentro traz ao público exposição de fotos, bailes e apresentações de marchinhas. Para Zeca Dal Seco, presidente da ABBC, a falta de carnaval de rua em São Paulo afasta a população do real sentido da festa, que foi muito popular entre os paulistanos entre as décadas de 20 e 60:
- Na década de 20 e 30 o Carnaval na cidade era até mais forte do que o do Rio de Janeiro. Hoje isso acabou. Nossa intenção é resgatar essa tradição da festa, que é como ela surgiu. O carnaval de rua é o verdadeiro Carnaval.
Para o assessor de projetos da SPTuris – empresa que coordena o turismo em São Paulo -, Luiz Sales, projetos como o criado pela associação ajudam a expandir o Carnaval paulistano:
- O Carnaval em São Paulo está crescendo e essa iniciativa [Carnacentro] reaviva esse lado que estava esquecido na cidade, além de agregar valor cultural. Este ano esperamos que cerca de 10 mil pessoas compareçam aos desfiles.
A iniciativa agrada a quem esteve nas duas fases da folia de Momo em São Paulo. Eduardo Joaquim, mais conhecido como Dadinho, desfila pela escola de samba Camisa Verde Branco há 50 anos. Compositor, dançarino e instrumentista, ele atualmente é membro da velha guarda da Camisa. Mesmo assim, ele afirma que, quando saiu da rua e foi para o Sambódromo, o Carnaval perdeu muito da espontaneidade:
– Hoje em dia é tudo muito comercial, está tudo concentrado em um só lugar. A cidade morreu quando a festa saiu das ruas.
A paixão do sambista pelo Carnaval é tanta que, mesmo tendo sofrido um acidente vascular em 2007 que resultou na perda de um das pernas, ele vai desfilar este ano no Sambódromo e na rua, com a Camisa Verde e Branco e também no Pholia. Em uma frase, Dadinho resume o sentimento de quem tem paixão pelo Carnaval acima de tudo:
– O samba não pode parar.