27 de Maio de 2012
|
Gottino afirmou que foi chamado para ser testemunha, mas não vai comparecer ao júri
O apresentador da TV Record Reinaldo Gottino disse nesta sexta-feira (10) que discorda do argumento que supostamente será usado pela defesa de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar a jovem Eloá Pimentel, de que a imprensa influenciou no desfecho do caso. Para Gottino, que conversou com Lindemberg por telefone durante o sequestro, em 2008, os jornalistas fizeram apenas seu trabalho.
O que você lembra sobre o caso Eloá? Faça o teste
- O desfecho trágico coube à polícia, não foi a imprensa que invadiu o apartamento. É fácil colocar a culpa na cobertura imprensa. Por que não cortaram a energia do prédio? Nós simplesmente ligamos lá e ele atendeu.
A opinião é compartilhada pelo advogado criminalista José Roberto Leal, para quem a polícia “cometeu erros crassos” durantes as negociações com o sequestrador. A entrevista concedida à imprensa foi citada por Leal como uma das falhas da polícia.
- A Polícia Militar fez muitas bobagens, por exemplo permitir que sujeito desse entrevista para emissoras de TV. Isso deveria ter sido evitado.
O apresentador foi convocado para ser testemunha da defesa no júri popular de Lindemberg que terá início na segunda-feira (13) no Tribunal do Júri da Comarca de Santo André, no ABC paulista. Ele disse, porém, que não vai comparecer por acreditar que não participou ativamente do caso.
- Não sou obrigado a ir, estarei viajando e também não concordo em participar como testemunha sendo chamado pela defesa. Sou jornalista, fiz meu trabalho como jornalista e apenas informei o que estava acontecendo.
Outros cinco jornalistas também foram convocados pela defesa de Lindemberg para participar do júri, o que foi questionado pelo apresentador.
- Se forem chamar como testemunha todo jornalista que passa uma notícia, amanhã não terá mais ninguém para apresentar os telejornais.
Para o José Roberto Leal, a estratégia da defesa de chamar jornalistas para testemunhar sobre o caso não faz sentido e não vai ajudar na defesa do réu.
- O advogado chamou jornalista para fazer o quê? O que eles podem falar a favor do réu? Isso só vai deixar o júri com maior ibope e mais extenso.
Júri
O júri popular vai ocorrer a partir das 9h de segunda-feira (13), no Tribunal do Júri da Comarca de Santo André, no ABC paulista. A sessão, presidida pela juíza Milena Dias, deve durar cerca de três dias.
Na segunda-feira, os trabalhos começam às 9h e terminam às 21h. No segundo dia, na terça-feira (14), o júri retoma no mesmo horário pela manhã e, caso precise ir para o terceiro, dia termina novamente às 21h de terça. Se não for necessário o terceiro dia, o julgamento pode não ter hora para terminar na terça.
Testemunhas
De acordo com o Ministério Público, 19 testemunhas vão participar do júri popular na segunda-feira, sendo cinco de acusação e 14 de defesa. Pode ser que nem todas sejam ouvidas no julgamento.
Veja a lista das testemunhas de defesa:
Sonia Abrão - jornalista
Roberto Cabrini - jornalista
Rodrigo Hidalgo - jornalista
Marcio Campos - jornalista
Ana Paula Neves - jornalista
Gotino - jornalista
Nelson Gonçalves - perito
Ricardo Molina - testemunha que analisou o áudio no dia do sequestro
Marcos Assumpção Cabello - advogado chamado pela família
Dairse Aparecida Pereira Lopes - perita
Helio Rodrigues Ramaciotti - perito
Sérgio Ludzita - delegado
Adriano Giovanini - capitão da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar)
Tenente Paulo Sérgio
Veja as listas das testemunhas de acusação:
Nayara Rodrigues da Silva - amiga de Eloá
Atos Antonio Valeriano - policial militar
Iago Vilera de Oliveira - adolescente mantido refém
Victor Lopes de Campos - adolescente mantido refém
Ronikson Pimentel dos Santos - irmão de Eloá
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7