27 de Maio de 2012
Ex-manobrista que mora embaixo do Minhocão compara Brasil ao Haiti
Em meio a papelões, roupas surradas e algumas garrafas de plástico, uma cena chama atenção em meio ao trânsito pesado da avenida Amaral Gurgel, no Minhocão, na região central de São Paulo: um morador de rua lê uma revista.
Ex- manobrista de estabelecimentos em “lugares bons”, como Cidade Jardim, Vila Madalena e Vila Olímpia, André de Oliveira, de 26 anos, mora na rua há um ano, desde quando deixou Carapicuíba, na Grande São Paulo. Ele diz que todos os dias “cola” numa banca de jornal da avenida para dar uma lida nas manchetes do dia – e mais tarde, em todo o jornal.
- Não é porque mora na rua é que tem que estar desinformado. Eu sempre procuro me informar. Pra mim é importante. Pego as revistas com o pessoal aí. Eu gosto de notícias, não só da região que a gente mora, mas do mundo inteiro.
Prova de que está antenado com o que acontece fora do Minhocão, André cita a tragédia no Haiti, provocada após o terremoto que assolou aquele país no último dia 12.
- Vê essa tragédia do Haiti: não foi uma nem duas pessoas que morreram. Aí você tem de raciocinar que uma cidade inteira foi destruída. O pessoal fala mal do Brasil, mas aqui não tem tragédia como essa, tem outras coisas, tem chuva, mas não isso [terremoto].

(Foto: Daia Oliver/R7)
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