William Volcov/AEBombeiros buscam mais uma criança de 11 anos que sumiu após chuvas
27 de Maio de 2012
Edição anterior da Operação Verão contabilizou 24 mortos; acumulado chega a 71 neste ano
Boletim da Defesa Civil Estadual relativo à Operação Verão – como é chamado o esquema de reforço no policiamento e de ações para auxílio em casos de tragédia - divulgado nesta quinta-feira, aponta um total de 71 mortos desde 1º de dezembro de 2009. Ou seja, em quase metade do período – pouco mais de dois meses – problemas provocados pelas chuvas já tiraram a vida do triplo de pessoas. A Operação Verão deste ano prossegue até o dia 31 de março.
O número de mortos divulgado nesta quinta-feira deve aumentar porque a Defesa Civil ainda não contabilizou duas mortes confirmadas pela chuva. Nesta quinta, os bombeiros localizaram o corpo de uma mulher que havia desaparecido durante as fortes chuvas da última quarta-feira (3). Uma criança de 11 anos permanecia desaparecida até por volta das 19h desta quinta-feira.
A Operação Verão é uma ação que envolve diversos setores ligados ao governo estadual que contabiliza todos os eventos relacionados com a chuva como deslizamentos, desmoronamentos, enchentes e alagamentos. Com as informações, a Defesa Civil realiza planos de ações para melhor utilização dos recursos e também para se antecipar a situações de risco.
O coronel Jose Ananias Duarte Frota, ex-coordenador Geral de Articulação da Secretaria Nacional de Defesa Civil, afirma que algumas ações poderiam minimizar os efeitos das chuvas. O mais importante, segundo ele, está relacionado à criar uma cultura de investimento de recursos para prevenção de catástrofes, e não somente de reparar os danos provocados por elas.
Outro apontamento feito por ele diz respeito à ausência de formação de profissionais para atuarem especificamente nas defesas civis dos municípios, Estados e governo federal. Um grupo de profissionais de excelência para atuar em desastres – assim como acontece com os policiais que integram a Força Nacional de Segurança Pública – serviria para ajudar a organizar os trabalhos demandados em desastres diversos.- À época em que eu estava [na Secretaria Nacional de Defesa Civil] tentamos realizar um acordo de cooperação e não foi adiante. No Brasil, a cada mudança de gestor, seja ele do governo federal, Estadual ou municipal, há troca de técnicos pois muitos dão espaço para outros, em cargos de confiança. E o que se faz com todo o conhecimento adquirido? Nada. Se temos os agentes de saúde, deveríamos ter o mesmo com os de saúde.
A criação de um Fundo Nacional de Defesa Civil aos moldes do que é feito hoje com o Fundo Nacional de Segurança Pública é outra proposta prevista na legislação que norteia os trabalhos da Defesa Civil Nacional e ainda não saiu do papel, segundo o coronel. Descentralizar os trabalhos da Defesa Civil Nacional – assim como é feito pela Fema (Federal Emergency Management Agency), Agência Federal de Gerenciamento de Emergência, numa tradução livre, que possui seis regionais nos EUA.
O R7 enviou os questionamentos feitos pelo ex-integrante da Secretaria Nacional de Defesa Civil ao órgão e não obteve resposta até por volta das 19h desta quinta-feira.
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