Os comandantes do 22º BPM/M (Batalhão da Polícia Militar Metropolitano), tenente-coronel Gerson Lima de Miranda, e da 3ª Companhia do 22º BPM/M, tenente-coronel Alexander Gomes Bento, ao qual pertencem os quatro policiais envolvidos na morte do motoboy Alexandre Menezes dos Santos foram afastados por determinação do secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. Em nota, a secretaria afirmou que os dois comandantes, após o incidente, "revelaram que não têm o comando da tropa".
A reportagem do
R7 aguarda um posicionamento da Polícia Militar a respeito do afastamento.
Como narra a mãe do motoboy, Maria Aparecida Cosmo Oliveira, Alexandre saiu da pizzaria onde trabalha, na zona sul, às 2h e foi se encontrar com o tio em um bar. No caminho, viu uma ronda policial e tentou desviar, pois sua motocicleta estava sem as placas.
Os cinco policiais militares conseguiram abordar o jovem quando ele estava na frente da casa da mãe. Houve uma discussão e, com narra Maria Aparecida, os soldados começaram a bater no filho. A família ainda afirma que Alexandre teve o pescoço quebrado pelos PMs e chegou ao hospital Sabóia já morto.
O corpo de Alexandre Menezes dos Santos foi enterrado neste domingo (9), Dia das Mães, no cemitério Memorial Parque das Cerejeiras.
A Polícia Militar confirma a participação de quatro policiais e não de cinco, como relatou a família. Em nota, a corporação afirmou que os policiais "em função do uso de força física excessiva" lesionaram o pescoço de Santos.
Inicialmente, a PM também havia afirmado que os policiais militares seriam autuados por lesão corporal qualificada. Depois, a Polícia Militar disse que eles seriam presos por homicídio culposo (sem a intenção de matar) e levados para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital.
Os policiais suspeitos de matar o motoboy pagaram fiança de R$ 480 para não serem presos pela Polícia Civil e responderem ao inquérito que os indiciou por homicídio culposo (sem intenção de matar) em liberdade. Mesmo assim, os quatro permanecem presos no presídio militar.
Eles irão aguardar a conclusão do inquérito no presídio, onde só é permitida a permanência por dois anos. Caso seja comprovado o envolvimento dos policiais na morte do jovem e a data do julgamento ultrapasse esse período, eles serão transferidos para um presídio comum e expulsos da corporação.
Outra morte de motoboy
Em outro caso de suspeita de violência policial, o motoboy Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, de 30 anos, foi morto em abril passado, em São Paulo, durante ação conduzida por PMs. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, escreveu uma carta de três páginas à pedagoga Elza Pinheiro dos Santos, de 62 anos, pedindo desculpas pela morte de seu filho. O motoboy foi encontrado morto com traumatismo craniano e hemorragia à 0h10 do dia 10, três horas após ser abordado por policiais militares e levado para a 1ª Companhia do 9º Batalhão, na Casa Verde, zona norte de São Paulo.
O teor da correspondência indica que, para Camilo, o motoboy foi morto dentro do quartel. Ao menos nove policiais militares - um sargento e oito soldados - suspeitos de envolvimento na morte estão presos administrativamente.