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publicado em 23/03/2010 às 06h01:

Criminalistas se dividem sobre influência
feminina no júri do caso Isabella

Grupo que julgará casal Nardoni é composto por quatro mulheres e três homens

Lucas Bessel, do R7

Advogados criminalistas se dividem quando o assunto é a influência que a maioria feminina no júri do caso Isabella Nardoni pode ter no resultado final do julgamento, que começou nesta segunda-feira (22), no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo.

Veja a cobertura completa do julgamento do caso Isabella

O júri de sete integrantes selecionado pelos advogados de acusação e defesa é composto por quatro mulheres e três homens. Segundo alguns criminalistas, essa configuração de maioria feminina favoreceria a promotoria, já que as mulheres teriam, em virtude de um suposto sentimento maternal, maior disposição em condenar o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pela morte de Isabella.

Para o advogado criminalista Leonardo Pantaleão, essa tese tem fundamento:

- A mulher acaba se colocando na situação da mãe que perdeu a filha. Temos que lembrar que a mãe da Isabella (Ana Carolina Oliveira) vai estar presente no julgamento e com certeza vai se emocionar, como é natural. Isso pode gerar uma convicção por parte dos jurados de que o casal acusado é realmente culpado do crime.

Pantaleão salienta, no entanto, que a escolha do júri "não é uma ciência exata":

- Um júri de maioria feminina não significa necessariamente uma condenação.

Para o criminalista José Roberto Leal, a tese de que um júri feminino tende a condenar o casal Nardoni vem muito mais de uma "tradição" jurídica do que de um fato concreto: 

- Costumava-se dizer que a mulher perdoa menos do que o homem, mas isso não é necessariamente verdade. Normalmente há muito mais réus homens do que mulheres, e essa tese pode ter surgido daí. Mas em um caso com um acusado homem e outro mulher, acho que a hipótese não se sustenta.

Já o advogado criminalista Sergey Cobra Alex refuta totalmente a tese de que o júri de maioria feminina favoreceria a acusação:

- O que importa nesse caso é a história de vida dos jurados, não o sexo. É fato que as pessoas julgam com sentimento, mas o sentimento vem daquilo que a pessoa viveu. Se eu acreditar simplesmente na tese da influência do espírito materno, vou estar simplificando demais um júri. Se fosse assim, eu deveria escolher sempre um júri de mulheres quando estivesse do lado da acusação.

 

 

Julgamento

Nesta terça-feira (23), o julgamento do caso Isabella deve ser retomado por volta de 9h. Após o final dos depoimentos, os réus serão interrogados. Depois disso, serão feitos os debates da defesa e da acusação.

O juiz maurício Fossen então consulta os jurados sobre as dúvidas e formula as perguntas que eles devem responder sobre o crime. Essas sete pessoas se reúnem então em uma sala secreta para votação. A sentença é o último passo. Pode ser que a decisão só saia na próxima sexta-feira (26).

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