Rosana Hermann/R7Localizada na região central de SP, o Minhocão foi inaugurado em 1971
27 de Maio de 2012
Prefeitura propõe via alternativa para substituir os 3,4 km do elevado Costa e Silva
Nesta quinta-feira (6), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) defendeu que a demolição conste no projeto Operação Urbana Lapa-Brás que a prefeitura escolherá nos próximos meses. O objetivo é revitalizar a área. A licitação [concorrência entre empresas] para escolha do projeto só deve ser aberta após consulta pública, o que deve ocorrer dentro de um mês por meio do site da secretaria de Desenvolvimento Urbano.
Para o professor Claudio Barbieri, coordenador de curso de pós-graduação em engenharia de transporte, outros caminhos devem ser apontados aos 7.200 veículos que passam pela via no horário de pico. Do contrário, os carros que transitam entre as regiões leste e oeste provocariam grandes congestionamentos no centro da capital.
– Eu acho que a não substituição [da via] teria um preço caro para a mobilidade da cidade.
Outro efeito colateral, segundo aponta Horário Augusto Figueira, consultor em engenharia de tráfego, seria o aumento da lentidão em vias como a marginal Tietê, pois os motoristas seriam forçados a procurar caminhos alternativos à atual ligação Leste-Oeste da cidade.
Os pedestres também sofreriam com uma possível demolição do elevado sem um plano de rotas alternativas, segundo o presidente da Abraspe (Associação Brasileira de Pedestres), Eduardo José Daros. O Minhocão, explica o especialista, é uma via usada mais por “carros de passagem”, ou seja, veículos que não têm interesse nas imediações da região. Sem o elevado, o fluxo invadiria as ruas embaixo do Minhocão, o que atrapalharia os transeuntes.– Pedestre precisa ter sensação de proteção.
Linha da CPTM x avenida
Entretanto, antes da polêmica demolição, a prefeitura já acena com uma alternativa aos mais de 40 mil carros que passam pelo elevado diariamente: criar uma avenida onde hoje é a linha de trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Antes, porém, seria necessário enterrar os cerca de 12 km de trilhos - o trem passaria por um túnel subterrâneo.
Segundo Kassab, ao longo dessa avenida, também seria construído um parque. No entanto, o prefeito ressaltou que, somente após o projeto, será possível apontar de fato uma alternativa para o trânsito.
Figueira se diz contra o trem subterrâneo. Segundo ele, transporte público de qualidade tem de ser visto. Os muros, inclusive, deveriam ser transparentes. Para ele, ao invés da nova via, o impacto da possível demolição do Minhocão pode ser amenizado se os “órfãos do elevado” adotassem o transporte coletivo.
– A nova marginal, por exemplo, poderia escoar o trânsito com pistas para ônibus.
Mesmo sem conhecer detalhes do projeto, o professor Claudio Barbieri estima o custo entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Ele diz que o ideal é que a nova via desaproprie mais casas no entorno da linha férrea do que o mínimo necessário. Isso, segundo ele, abriria a possibilidade de criar uma área verde em volta da nova via, amenizando o impacto da obra para o trânsito e para os moradores da região.
– Olhe para a avenida Bandeirantes, que tem casas e comércio em volta. Os carros diminuem a velocidade para estacionar, o que prejudica o fluxo.
Na opinião de Daros, abrir novas ruas pode só aumentar o número de carros.
– O limite do motorista é insaciável. Se ele puder, percorre 100 km em 30 minutos para comer um chocolate. Quanto mais vias expressas, mais carros.
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