Depoimento de mãe de Isabella comove plateia em julgamento
Estudante de direito saiu de Caraguatatuba, a 173 km de São Paulo, para ver júri de perto
Ingrid Tavares, do R7
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A estudante de direito Paula Vanessa Alves Quirino, 27 anos, afirmou à reportagem do R7 que o depoimento de Ana Carolina Oliveira, mãe da menina Isabella, comoveu a plateia que acompanha o julgamento dos Nardoni, acusados pela morte da menina.
- Ela chorava muito enquanto contava detalhes da hora que encontrou a filha no chão do edifício London. Até algumas mulheres da platéia se comoveram.
Sobre o comportamento dos réus Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados da morte de Isabella, a estudante afirmou que não percebeu emoção no casal.
- Eles estavam com semblante frio e nenhum dos dois mostrou nenhum tipo de desespero.
Ainda de acordo com Paula, a promotoria está pedindo a Ana Carolina Oliveira muitas informações sobre a relação de Alexandre Nardoni com Isabella. Segundo ela, eles questionam como a mãe via a relação entre pai e filha e se ele pagava a escola e saía com a menina.
Paula foi ao fórum acompanhada de sua mãe, Patrícia Alves, e deixou o prédio 20h30 desta segunda-feira (22). As duas saíram de Caraguatatuba, a 173 km de São Paulo, e entraram na fila para assistir ao júri às 10h30.
A estudante disse que se interessou pelo caso porque o ocorrido foi durante o seu primeiro ano de faculdade, em março de 2008. Ela contou que no primeiro trabalho direito penal teve que simular o caso como acusação e “ganhou a causa”.
Patrícia descreveu o julgamento como “cansativo” e disse que não aguentou continuar na sala. Paulo afirmou que queria continuar, mas uma prova da faculdade marcada para amanhã, em Caraguatatuba, a impede de permanecer no Fórum.
Julgamento
Além da mãe de Isabella, outras 15 testemunhas serão ouvidas pela Justiça, a maior parte delas, de defesa. Inicialmente, tinham sido convocadas 23 pessoas para prestar depoimento, mas nesta tarde, a defesa dispensou o depoimento de seis delas e a acusação de uma. As testemunhas dispensadas pela defesa foram Geralda Afonso Fernandes, vizinha do prédio onde morava o casal Nardoni; Paulo Vasan Geu, escrivão de policia do 9º Distrito Policial; Luiz Alberto Spinola de Castro, investigador de polícia do 9º Distrito Policial; Cláudio Colomino Mercado, agente policial do 9º Distrito Policial; Adriana Mendes da Costa Porusselli, escrivão policial do 9º Distrito Policial; e Walmir Teodoro Mendes, investigador policial do 35º Distrito Policial.
A acusação também abriu mão de ouvir a avó materna de Isabella Nardoni, Rosa Cunha de Oliveira.
Previsto para começar às 13h desta segunda, o julgamento do casal teve início com mais de uma hora de atraso, às 14h17. A primeira etapa do processo foi a escolha dos jurados. Das 40 pessoas convocadas a comparecer ao Fórum de Santana, sete foram escolhidas. O sorteio, de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, começou às 15h40 e durou cerca de nove minutos. Quatro mulheres e três homens irão decidir se o casal é inocente ou culpado pela morte de Isabella Nardoni.
Após a escolha, o juiz Maurício Fossem decretou um recesso de almoço. O intervalo terminou às 17h, quando foi retomado o julgamento com a leitura da pronúncia por Fossen. A leitura é feita para que as pessoas presentes no julgamento entendam porque a Justiça decidiu pelo júri popular. Como o processo do caso Isabella é extenso, a leitura durou mais de uma hora. Só após isso, teve início o depoimento de Ana Carolina Oliveira.
Na terça-feira (23), o julgamento deve ser retomado por volta de 9h. Após o final dos depoimentos, os réus serão interrogados. Depois disso, serão feitos os debates da defesa e da acusação.
O juiz então consulta os jurados sobre as dúvidas e formula as perguntas que eles devem responder sobre o crime. Essas sete pessoas se reúnem então em uma sala secreta para votação. A sentença é o último passo. Pode ser que a decisão só saia na próxima sexta-feira (26).