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publicado em 29/03/2010 às 10h45:

Desfecho do caso Isabella traz justiça para famílias
que também perderam filhos de forma violenta

Pai de Ives Ota disse que com a condenação, era como se fosse feita justiça para ele

Fernando Gazzaneo e Mônica Ribeiro e Ribeiro, do R7

A condenação de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pela morte da menina Isabella, no último sábado (27), fez surgir o sentimento de justiça em muitas pessoas que nunca tiveram contato com a família da vítima. Os detalhes revelados para reconstituir o crime que comoveu o Brasil fizeram outros pais que também perderam seus filhos reviverem o drama pessoal semelhante ao de Ana Carolina Oliveira, mãe da menina  assassinada em 29 de março de 2008. 

Veja cobertura completa do caso Isabella

Assim como Ana Carolina Oliveira, a médica Kátia Regina Dias Couto enfrenta há cinco meses o drama de perder um filho de maneira precoce e violenta. Também precisou encarar a possibilidade de ver um ex-companheiro - e também pai da criança – envolvido no crime. 

No dia 18 de dezembro, Kátia recebeu a notícia de que seu filho Pedro, de 2 anos, havia caído do 18º andar do prédio em que moravam no bairro da Saúde, na zona sul de São Paulo. A polícia logo depois revelou que a criança foi jogada pelo pai, Cássio Rodrigues, de 30 anos, que não se conformava com o fim do relacionamento com Kátia. Depois de jogar a criança, ele também saltou do alto do edifício e morreu.

Por causa da morte de Pedro, a médica parou de trabalhar por um tempo e começou a estudar filosofia e teologia para aceitar melhor a situação. 

- O perdão não é só possível, mas também necessário. No começo é muito difícil. 

Kátia afirma que, com a repercussão do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, "as pessoas vão pensar duas vezes antes de cometer barbaridades como as que aconteceram com ela e com o meu filho”. 

- Eu acompanhei os dois primeiros dias do julgamento, quando a Ana Carol [mãe de Isabella] e a delegada Renata Pontes deram seus depoimentos. Eu queria dar apoio a Ana Carolina, porque quando meu filho foi assassinado, ela fez o mesmo por mim. 

Também solidários com o sofrimento de Ana Oliveira, Iolanda Keiko e Masataka Ota foram até o Fórum de Santana, na zona norte da capital paulista, para acompanhar de perto o julgamento. Há quase 13 anos, o filho Ives, de 8 anos, foi morto com dois tiros no rosto depois que reconheceu um dos seus sequestradores, que era segurança das lojas da família. 

Iolanda considerou adequada a condenação do pai e da madrasta de Isabela “porque eles não tiveram a dignidade de falar a verdade durante o julgamento”. 

Já Ota conta que, sentado na última fileira da sala do julgamento, relembrou o que aconteceu com Ives, que, se estivesse vivo, teria 21 anos. 

- Não tem como não sentir aquela saudade. Ficamos mais fortes, mas a sinto [saudades] todos os dias. Quando a decisão do júri saiu, era como se, de alguma forma, fosse feita justiça para nós também. 

"A Justiça é falha"
Mesmo concordando com a condenação, o advogado criminalista Ari Friedenbach, pai da adolescente Liana, morta em 2003 aos 16 anos após ser seqüestrada, estuprada e torturada, afirma que, mais uma vez, “ficou claro que a nossa Justiça é falha”. 

A falha, em seu ponto de vista, ocorre devido aos precedentes que a lei brasileira abre para detentos que comprovam bom comportamento. Se o casal Nardoni se beneficiar dessa lei, após cumprirem dois quintos da pena, eles têm direito a solicitar regime semiaberto. 

- Em menos de dez anos, tanto o pai quanto a madrasta podem ficar livres. Acho trágico que um homicida fique fora da cadeia em tão pouco tempo. 

Para ele, a única forma de não cometer injustiças em nome da lei é uma reforma geral na legislação brasileira. 

- Tem de haver uma mudança no Estatuto da Criança e do Adolescente, por exemplo. Ter penas mais significativas e com menos progressões de regime. Isto me angustia como cidadão.

 
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