27 de Maio de 2012
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Réu negou cárcere contra amigos de Eloá e tentativa de homicídio contra o policial
Durante o interrogatório da promotora Daniela Hashimoto, o réu afirmou que Nayara o ajudou muito enquanto estava lá dentro. Ela teria tentado acalmar Eloá, atendido ligações telefônicas e o auxiliou a tomar algumas decisões, como a de confiar na polícia ou não. Ele chegou a dizer que era "assessorado" pelas meninas.
Lindemberg ainda admitiu que deu dois tiros durante o cárcere, o primeiro em direção ao pátio e o segundo contra um computador. Ele contou que não tinha porte de arma, mas que comprou o revólver para se proteger, pois estava recebendo ameaças.
Para comprovar sua intenção de libertar as meninas no último dia de sequestro, ele afirmou que chegou a pedir para elas colocarem moletons e sapatos para descer.
A mudança de estratégia teria ocorrido quando a ligação do réu com a irmã dele foi supostamente cortada pela polícia. Na sequência, ele diz ter visto os policiais retirando as pessoas da área do prédio. Segundo ele, naquele momento houve novamente a quebra de confiança com a polícia e ele desistiu de descer, mesmo tendo acesso à carta em que um promotor fazia garantias a ele.
Lindemberg Alves começou seu interrogatório por volta de 14h15, pedindo perdão pelos crimes que cometeu. Ele afirmou que foi ao julgamento para dizer a verdade, pois sente que tem uma dívida enorme com a família. O rapaz, de 25 anos, está sendo julgados por 12 crimes, entre eles o assassinato e o cárcere de sua ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, em outubro de 2008.
Veja as fotos do 3º dia do julgamento
Esta é a primeira vez que ele fala sobre o crime desde que foi preso, em 2008.
Tenente do Gate
Pela manhã, os jurados ouviram o tenente do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) Paulo Sérgio Squiavo. O policial falou por pouco mais de uma hora. Numa explanação minuciosa, que incluiu os métodos usados pelo Gate durante o cárcere de Eloá em 2008, Squiavo relembrou as afirmações que Lindemberg fez logo após o desfecho da tragédia em Santo André.
- Em tom eufórico, ele gritava que havia matado [...] Havia conseguido falar algo do tipo "Estou vivo e a matei".
Questionado sobre a forma como a Polícia Militar agiu ao invadir o apartamento de Eloá para por fim ao cárcere, Squiavo afirmou que:
- Recebi a ordem de que as negociações estavam ficando infrutíferas e de que se houvesse agressão poderia entrar. Qualquer motivo que mostrasse risco insuportável para os reféns.
Assista ao vídeo:
Julgamento
Este terceiro dia do julgamento começou por volta das 10h50. A previsão inicial era de que o júri fosse concluído nesta quarta, mas segundo o advogado assistente de acusação José Beraldo a previsão é de que as argumentações de acusação e defesa sejam feitas só na manhã da quinta-feira (16).
Após a fala de Lindemberg, o julgamento entrará na fase final: quando os advogados fazem os debates. A promotoria e a defesa têm uma hora e meia cada uma para apresentar seus argumentos para os jurados. Na sequência, pode haver réplica e tréplica, sendo disponibilizada uma hora para cada etapa.
Em seguida, os jurados se reunirão para definir se Lindemberg é culpado ou não dos crimes pelos quais é acusado: além de homicídio, ele também responde por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe contra Nayara, por outra tentativa de homicídio qualificado pela finalidade de assegurar a execução de outros crimes contra o policial militar Atos Antonio Valeriano e, ainda, por crimes de cárcere privado contra Eloá, Nayara e os adolescentes e colegas de Eloá Victor Lopes de Campos e Iago Vilera de Oliveira, e também contra Ronikson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá.
No final do julgamento, a juíza vai estipular a sentença do réu, caso ele seja condenado pelos jurados.
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