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27 de Maio de 2012

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Julgamento do caso Eloá
 Cobertura completa
publicado em 15/02/2012 às 16h40: atualizado em: 15/02/2012 às 19h20

Ela fez movimento de levantar
do sofá e eu atirei, diz Lindemberg

Réu negou cárcere contra amigos de Eloá e tentativa de homicídio contra o policial

Érica Saboya, do R7

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Lindemberg Alves afirmou, na tarde desta quarta-feira (15), durante seu interrogatório no Fórum de Santo André, no ABC, que atirou em Eloá Pimentel após a invasão dos policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), porque a adolescente teria ameaçado se levantar do sofá.

- Foi tudo muito rápido quando a polícia invadiu. Ela [Eloá] fez um movimento que ia levantar do sofá e eu, sem pensar, atirei. Fiquei com receio de ela tentar tirar de novo a arma da minha mão. Foi tudo muito rápido doutora, eu não pensei.

A declaração foi dada quando a juíza Milena Dias questionou Lindemberg sobre a acusação de homicídio da ex-namorada dele. Enquanto relatava o que ocorreu naquele dia, em outubro de 2008, o réu chegou a embargar a voz e se mostrar emocionado. Ele disse, no entanto, não se lembrar de ter atirado em Nayara Rodrigues.

Veja em vídeos a cobertura do 3º dia

- Eu não lembro de ter atirado na Nayara. O último contato visual que tive com ela foi antes da invasão.

Usando linguagem formal, bem diferente das conversas que teve durante as negociações no cárcere (que foram gravadas), Lindemberg também negou que tenha atirado contra o policial Atos Antonio Valeriano, o primeiro negociador. De acordo com o réu, ele atirou em direção ao pátio, sem mirar em ninguém.

Outra acusação que Lindemberg negou foi a de cárcere privado de Nayara Rodrigues e dos jovens Iago Vilara de Oliveira e Vitor Lopes Campos. Segundo réu, eles poderiam sair quando quisessem. Como exemplo dessa “liberdade”, o acusado citou o caso de Nayara que foi e voltou ao cativeiro.

De acordo com o acusado, a decisão de que Nayara deveria voltar ao apartamento foi de Eloá, pois ela se sentiria mais segura junto da amiga.

Durante o interrogatório da promotora Daniela Hashimoto, o réu afirmou que Nayara o ajudou muito enquanto estava lá dentro. Ela teria tentado acalmar Eloá, atendido ligações telefônicas e o auxiliou a tomar algumas decisões, como a de confiar na polícia ou não. Ele chegou a dizer que era "assessorado" pelas meninas.

Lindemberg ainda admitiu que deu dois tiros durante o cárcere, o primeiro em direção ao pátio e o segundo contra um computador. Ele contou que não tinha porte de arma, mas que comprou o revólver para se proteger, pois estava recebendo ameaças. 

O réu ainda relatou que em alguns momentos, tanto ele quanto as duas meninas que manteve refém, encaravam toda a situação como uma brincadeira.

Lindemberg pede perdão por ter matado Eloá

- Vou confessar uma coisa que vai parecer estranha. Mas, em alguns momentos, a gente achava que aquilo tudo era uma brincadeira. É triste, mas foi assim.

Contradição

A promotora fez Lindemberg se contradizer em alguns momentos. Quando ela apresentou gravações telefônicas das negociações, ele afirmou que as ameaças que faziam eram blefes para manter a polícia fora do local. Em uma delas, entretanto, ele diz ter atirado em um policial, o que foi questionado pela promotora.

- Mas vocês não disse que não teve contato visual com nenhum policial, que atirou para o chão?

Ele tentou afirmar que o negociador o teria informado sobre o tiro, mas as explicações não a convenceram.

Último dia

Questionado sobre o porquê de ter mantido contato com jornalistas, Lindemberg afirmou que só o fez por não confiar nos policias. Segundo ele, a intenção era libertar todos, mas não em uma hora marcada, pois a libertação de surpresa havia “dado certo das outras vezes”.

Para comprovar sua intenção de libertar as meninas no último dia de sequestro, ele afirmou que chegou a pedir para elas colocarem moletons e sapatos para descer.

A mudança de estratégia teria ocorrido quando a ligação do réu com a irmã dele foi supostamente cortada pela polícia. Na sequência, ele diz ter visto os policiais retirando as pessoas da área do prédio. Segundo ele, naquele momento houve novamente a quebra de confiança com a polícia e ele desistiu de descer, mesmo tendo acesso à carta em que um promotor fazia garantias a ele.

Lindemberg Alves começou seu interrogatório por volta de 14h15, pedindo perdão pelos crimes que cometeu. Ele afirmou que foi ao julgamento para dizer a verdade, pois sente que tem uma dívida enorme com a família. O rapaz, de 25 anos, está sendo julgados por 12 crimes, entre eles o assassinato e o cárcere de sua ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, em outubro de 2008.

Veja as fotos do 3º dia do julgamento

Esta é a primeira vez que ele fala sobre o crime desde que foi preso, em 2008.

Tenente do Gate

Pela manhã, os jurados ouviram o tenente do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) Paulo Sérgio Squiavo. O policial falou por pouco mais de uma hora. Numa explanação minuciosa, que incluiu os métodos usados pelo Gate durante o cárcere de Eloá em 2008, Squiavo relembrou as afirmações que Lindemberg fez logo após o desfecho da tragédia em Santo André.

- Em tom eufórico, ele gritava que havia matado [...] Havia conseguido falar algo do tipo "Estou vivo e a matei".

Questionado sobre a forma como a Polícia Militar agiu ao invadir o apartamento de Eloá para por fim ao cárcere, Squiavo afirmou que:

- Recebi a ordem de que as negociações estavam ficando infrutíferas e de que se houvesse agressão poderia entrar. Qualquer motivo que mostrasse risco insuportável para os reféns.

Assista ao vídeo:

 

Julgamento

Este terceiro dia do julgamento começou por volta das 10h50. A previsão inicial era de que o júri fosse concluído nesta quarta, mas segundo o advogado assistente de acusação José Beraldo a previsão é de que as argumentações de acusação e defesa sejam feitas só na manhã da quinta-feira (16)

Após a fala de Lindemberg, o julgamento entrará na fase final: quando os advogados fazem os debates. A promotoria e a defesa têm uma hora e meia cada uma para apresentar seus argumentos para os jurados. Na sequência, pode haver réplica e tréplica, sendo disponibilizada uma hora para cada etapa.

Em seguida, os jurados se reunirão para definir se Lindemberg é culpado ou não dos crimes pelos quais é acusado: além de homicídio, ele também responde por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe contra Nayara, por outra tentativa de homicídio qualificado pela finalidade de assegurar a execução de outros crimes contra o policial militar Atos Antonio Valeriano e, ainda, por crimes de cárcere privado contra Eloá, Nayara e os adolescentes e colegas de Eloá Victor Lopes de Campos e Iago Vilera de Oliveira, e também contra Ronikson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá. 

No final do julgamento, a juíza vai estipular a sentença do réu, caso ele seja condenado pelos jurados.

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