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publicado em 19/06/2011 às 05h50:

Enfermaria de hospital de Guarulhos em que
14 bebês morreram tem barata e ralo exposto

Situação da unidade de saúde contribuiu para piora das crianças, diz especialista

Fernando Gazzaneo, do R7

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Banheiro com barata, ralo sem proteção e muita sujeira foram alguns dos problemas enfrentados pela mãe de uma das 14 crianças que morreram no Hospital Municipal Santa Casa da Criança de Guarulhos, na Grande São Paulo, entre os meses de abril e maio de 2011. As mortes ocorreram na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital. Porém, as irregularidades na unidade de saúde começaram a ser registradas pela família da bebê, com a ajuda de uma câmera, bem antes da internação na UTI, ainda na enfermaria do hospital. As imagens foram entregues à reportagem do R7 na última semana.

A criança ficou internada no hospital de 8 de abril a 4 de maio, quando morreu. Entre 13 e 30 de abril, a bebê esteve na enfermaria. Foi neste período que as fotos e o vídeo foram gravados. O material foi avaliado pela especialista em cuidados paliativos do Hospital Albert Eistein, Ana Cláudia Arantes, a pedido do R7. Para ela, “não há dúvidas de que o flagrante de falta de higiene no quarto onde a criança ficou internada contribuiu para a piora do quadro de saúde do bebê”.

- As imagens falam por si só. As condições do quarto [do hospital] são impróprias para uma criança com uma saúde tão fragilizada. O hospital não pode contribuir para que a situação do bebê piore ainda mais.

As imagens também foram entregues ao MP (Ministério Público) de Guarulhos na última sexta-feira (10). Segundo a promotora da Infância e da Juventude Renata Gonçalves de Oliveira, o material foi anexado ao inquérito civil do caso. Para ela, os problemas encontrados "denotam descaso e causam espanto".

Assista ao vídeo:

 

14 mortes

No início deste mês, a promotora Renata afirmou que o número de crianças que morreram, entre abril e maio, na UTI do hospital em Guarulhos equivale à média de óbitos de um ano inteiro na unidade. As causas das mortes ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil e pela Promotoria da Infância e da Juventude da cidade. Apesar de as investigações ainda estarem em andamento, a interdição da UTI aconteceu após a Vigilância Sanitária analisar o prontuário de quatro das crianças mortas. 

O órgão constatou “altas taxas de infecção primária associadas ao uso do cateter central" [estrutura geralmente colocada no pescoço, que serve para a introdução de medicamentos e respiração artificial].

A dona de casa Ana Cristina Ferreira, que junto com o marido fez o vídeo e as fotos desta reportagem, conta que a filha usou o cateter já nos primeiros dias de internação. Segundo ela, a limpeza da abertura feita no pescoço da criança não era feita com regularidade pelos enfermeiros.

- Os médicos escolheram o cateter para aplicar a medicação na Milena [sua filha]. Mas a higienização do corte por onde passava o tubo foi feita apenas uma vez pela enfermagem do hospital. Tive que me encarregar de fazer as outras vezes.

R7 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde e pediu uma entrevista com o secretário, mas ele não concordou. Em nota, o responsável pela pasta, Carlos Derman, afirmou que “se a mãe fazia troca de curativos, não era com a nossa autorização, nem da equipe de enfermagem”. O secretário também explicou que “é difícil fiscalizar o tempo todo o acompanhante”. 

Materiais corretos

Para a especialista em cuidados paliativos, Ana Cláudia, dependendo do caso, a falta de curativos diários não significa necessariamente displicência do hospital. Porém, os cuidados com o cateter devem ser feitos com os materiais corretos e sempre com o uso de luvas. 

Segundo Ana Cláudia, esse é justamente um dos principais problemas revelados pelas imagens obtidas pela reportagem. Em um dos vídeos, uma enfermeira que faz o atendimento da criança não está usando luvas. O hospital explicou, por meio de nota, “que fora da UTI e do isolamento, a enfermagem não precisa usar luva e máscara o tempo todo”. Ana Cláudia discorda.

- As luvas são necessárias, ainda mais para um histórico frágil como o dessa criança. Muitas vezes, o profissional é o responsável por trazer a infecção para o paciente.

A mãe da Milena conta que a filha nasceu em outro hospital da região, prematura e com complicações no intestino. Ela recebeu alta médica após quase três meses de internação e, logo em seguida, foi hospitalizada com um quadro de desnutrição no Hospital Municipal Santa Casa da Criança de Guarulhos.

Equipamentos

Ana Cristina Ferreira conta também que foi obrigada a levar uma banheira para o hospital para dar banho na filha, pois a que a unidade de saúde oferecia não tinha suporte e era mantida no chão do banheiro, ao lado do vaso sanitário. O pai da menina registrou o momento em que uma barata é encontrada debaixo do objeto.

A Secretaria municipal de Saúde rebateu as críticas de Ana e disse que a “banheira fotografada não estava sendo usada” e que o Hospital da Criança tem todas “as certidões de desinsetização”. O secretário Carlos Derman também informou que a “rádio local entrevistou 20 pais [atendidos no hospital] e 19 deles acharam o atendimento excelente".

A incubadora onde a filha de Ana Cristina chegou a ficar no tempo de internação havia sido higienizada em fevereiro deste ano, de acordo com uma etiqueta colocadas pelos funcionários. Ela afirma que encontrou formigas em uma mancha de leite materno dentro do equipamento. Em nota, o secretário de saúde de Guarulhos se defende dizendo que a fotografia feita pela mãe da criança é de uma incubadora que não está em uso, mas não explicou o motivo da desativação.

Relatório

O presidente da comissão de saúde da Câmara dos Vereadores de Guarulhos, José Carlos Dalan, afirma que pediu à direção do hospital um relatório com informações dos prontuários das crianças que morreram no local entre abril e maio deste ano. Ele define a situação da unidade de saúde como “acanhada”, mas acredita que os pacientes morreram mais pelo estado de saúde crítico do que pela estrutura da unidade de saúde.


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