Interrogatório dos Nardoni é marcado por contradições no quarto dia de júri
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá se emocionaram em alguns momentos
Do R7
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O quarto dia de julgamento do caso Isabella foi marcado por contradições nos depoimentos do pai e da madrasta da menina assassinada em março de 2008. Alexandre Nardoni, de 31 anos, e Anna Carolina Jatobá, 26, foram interrogados na quinta-feira (25) e responderam às perguntas feitas pelo juiz Maurício Fossen, o promotor Francisco Cembranelli e o advogado da desfesa Roberto Podval.
Também nessa quinta-feira, a mãe da criança, Ana Carolina Oliveira, que havia sido colocada à disposição para uma possível acareação, foi liberada do julgamento.
O primeiro a depor foi Nardoni que mudou a versão do que havia contado na época do crime à polícia, quando ele disse ter trancado a porta do apartamento após ter deixado Isabella no quarto e ter descido para pegar os outros filhos. No interrogatório desta quinta-feira, ele afirmou nunca ter dito que trancou a porta, mas que a deixou destrancada o tempo todo.
A versão contradiz o depoimento dado por sua mulher, Anna Carolina, que, questionada pelo juiz Fossen, afirmou ter visto Nardoni tirar a chave do bolso para abrir a porta do apartamento deles quando ambos subiram com os filhos.
- Nós subimos normal, sem briga. Ele tirou a chave do bolso e abriu a porta da casa.
A ré ainda confessou ter mentido à polícia nas vezes em que registrou boletim de ocorrência contra seu pai, Alexandre Jatobá, por agressão. Os supostos atos de violência teriam ocorrido em janeiro de 2004.
- Aumentei e inventei muitas coisas que estavam no B.O. [boletim de ocorrência]
As contradições do casal foram minimizadas pelo advogado Podval:
– A minha percepção é: se houve algumas contradições, são insignificantes dentro do contexto de que as coisas se deram. Todos os depoimentos foram muito iguais, muito semelhantes.
Propostas de acordo
Os dois acusados disseram ter recebido propostas da polícia para confessar ter cometido o crime. Nardoni afirmou que o delegado Calixto Calil Filho sugeriu que ele assumisse a responsabilidade pelo homicídio culposo (sem intenção de matar) de Isabella em troca da inocência da mulher. Segundo ele, a proposta foi feita com o conhecimento do promotor Cembranelli.
Já Anna Carolina contou que a delegada Renata Pontes a pressionou para acusar o marido do crime, lembrando-a de que ela não tinha curso superior completo e, por isso, não teria direito à cela especial na prisão, diferentemente de Nardoni, formado em direito.
Emoção
Tanto Nardoni como Anna Carolina se emocionaram em alguns momentos de seus depoimentos. O pai de Isabella ficou com a voz embargada ao relembrar o último dia que passou com a menina. Ele ainda chorou ao relatar o momento em recebeu a notícia da morte da filha.
Apesar do choro, o promotor Francisco Cembranelli ironizou a reação de Nardoni perguntando se a miopia do réu era o motivo pelo qual lágrimas não escorriam de seus olhos ao chorar. O comentário foi repreendido pelo juiz Fossen.
Anna Carolina gaguejou e chorou ao responder à pergunta do juiz sobre o que aconteceu no dia do crime. Ela se referia à mãe de Isabella como Carol e à menina apenas como Isa e afirmou que esta “era como se fosse uma filha” para ela. A ré também se emocionou em outros momentos, como por exemplo, quando relembrou a vida que levava ao lado dos filhos.
Os dois procuraram passar uma imagem de casal harmonioso, contrariando o argumento da acusação de que eles são um casal briguento, ciumento, e que ambos têm personalidade violenta.
Fim do confinamento
A mãe de Isabella, Ana Carolina, que estava isolada há três dias após ter sido convocada para uma possível acareação com os réus, foi dispensada do julgamento na manhã desta quinta-feira.
A decisão foi anunciada pelo juiz Fossen, que informou que Ana Carolina havia sido submetida a exame feito por um médico psiquiatra durante o período de confinamento comprovando que ela estava "próxima a um estado agudo de estresse". O parecer contraindicava uma acareação e foi submetido pela defesa aos réus que concordaram em liberá-la.