Janeiro deverá ser considerado nas próximas horas o mês mais chuvoso dos últimos 77 anos na Grande SP, segundo o meteorologista Augusto Pereira Filho. Até agora, o recorde histórico de volumes de chuvas é de março de 1991, com 470 mm, com base em dados da Estação Meteorológica da USP (Universidade de São Paulo). Mas faltam apenas 18 mm para que janeiro de 2010 seja o mês mais chuvoso das últimas sete décadas.
De qualquer forma, este mês já pode ser visto como o janeiro que registrou o maior volume de chuvas no período. Do dia 1º até esta quinta-feira (21), a quantidade de chuva (452 mm) supera o último recorde registrado no mês de janeiro de 1989 (425 mm). Filho explica que a alta temperatura e a umidade do ar são os responsáveis, entre outros fatores, pelo grande volume das águas:
- A umidade proveniente do mar e da Amazônia, aliada às temperaturas acima do normal para esta época do ano, entre outras causas, provocaram o grande volume de chuva que presenciamos neste mês.
O temporal que atingiu a Grande São Paulo na madrugada desta quinta-feira (21) causou a morte de nove pessoas em vários pontos da região metropolitana. De dezembro até este mês, as chuvas já fizeram 59 vitimas no Estado.
Estado de calamidade
As chuvas já obrigaram três cidades do Estado a decretarem situação de calamidade pública: São Luís do Paraitinga, Cunha, no interior, e Ribeirão Pires, no ABC paulista. O último boletim da Defesa Civil estadual aponta outras 25 cidades em situação de emergência. São elas: Atibaia, Bofete, Caieiras, Caiuá, Capivari, Chavantes, Franco da Rocha, Getulina, Guararema, Inúbia Paulista, Lucélia, Lourdes, Manduri, Mineiros do Tietê, Mirassol, Osasco, Oscar Bressane, Pardinho, Pracinha, Presidente Venceslau, São José do Rio Preto, São Lourenço da Serra, Santo André, Santo Antônio do Pinhal e Sumaré.
Cerca de 25.700 pessoas foram obrigadas a sair de suas casas devido às chuvas. Desse total, 3.750 permanecem desabrigadas – precisaram ir para abrigos – e outros 17.377 permanecem desalojadas e precisam contar com auxílio de vizinhos, amigos ou familiares até que suas casas tenham condições de serem novamente habitadas. Os temporais, ainda segundo o balanço, já atingiram 123 cidades – 19% do total de 645 municípios paulistas.