Daia Oliver/R7Banca na região central de SP; todos os jornaleiros da área receberam notificação da prefeitura
11 de Fevereiro de 2012
Categoria é contra medida da prefeitura que quer remover 84 bancas na região central
O objetivo dos sindicalistas é recolher um milhão de assinaturas – até a última segunda-feira (8), havia somente 70 mil. De acordo com o presidente do sindicato, Ricardo do Carmo, caso o abaixo-assinado não sensibilize Kassab, o sindicato deve entrar com uma medida judicial para evitar a remoção das bancas.
- Se não surtir efeito [o protesto], vamos entrar com um mandado de segurança contra a administração pública.
Carmo disse que, a princípio, o prazo inicial dado pela prefeitura para que os jornaleiros deixem os pontos foi de 30 dias. Entretanto, a administração de Gilberto Kassab (DEM) concedeu prorrogação para mais 90 dias – segundo Carmo, o prazo terminará entre 15 e 25 de fevereiro. Se esse prazo não for cumprido, os jornaleiros notificados perderão o TPU (Termo de Permissão de Uso).- Isso é impedir o direito à informação. Nós precisamos de dados técnicos para entender o porquê da decisão. Queremos saber para onde as bancas irão, se serão movidas a 100 metros do lugar de origem ou pra outro lugar.
Segundo ele, o centro tem 10% das bancas de toda a cidade – são 500 de um total de 5.000. Na região da avenida Paulista ainda não chegaram notificações, mas, segundo o sindicato, todas as bancas deverão ser removidas da via.
Herança de família
O jornaleiro Pedro Martins Carone, dono da banca Falcão, herdou do pai o estabelecimento, que funciona desde 1954 no centro de São Paulo. Para ele, o caminho não é mudar as bancas de lugar, “que fazem parte da história da cidade”, mas aumentar o policiamento da cidade.
- A banca muitas vezes serve de segurança para quem anda nas ruas. Se a pessoa percebe que está sendo seguida, ela pode se abrigar ali.
Já o arquiteto Milton Melo acredita que as bancas atrapalham o fluxo de pessoas, mas avalia a iniciativa da prefeitura como "radical".
- Algumas bancas atrapalham o fluxo de pessoas nas calçadas e poderiam ser retiradas. Mas, quanto à segurança, não precisa ser tão radical. As bancas poderiam ser mais abertas, com mais transparência para evitar a insegurança.
Outro lado
Procurada pela reportagem do R7, as secretarias de Coordenação de Subprefeituras e de Segurança Urbana afirmam que o objetivo “é evitar pontos cegos para os guardas civis e policiais e também melhorar as condições de movimentação de pedestres e a acessibilidade para portadores de necessidades especiais”. Em nota, os órgãos afirmam que os comerciantes podem sugerir opções para novos posicionamentos de suas bancas.
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