Daia Oliver/R7Antonio Nardoni chega ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, para ouvir depoimento do filho
27 de Maio de 2012

Intervalo de uma hora ocorre após depoimento polêmico de Alexandre Nardoni
Veja a cobertura completa do julgamento do caso Isabella
O recesso é feito após depoimento polêmico do réu Alexandre Nardoni nesta manhã. Em resposta a perguntas do juiz Maurício Fossen e do promotor Francisco Cembranelli, Nardoni disse que, durante depoimento à polícia em 18 de abril de 2008, recebeu uma "proposta de acordo" que sugeria que ele assumisse a responsabilidade pelo homicídio culposo (sem intenção de matar) de Isabella em troca da inocência da mulher.
Ele relatou que o promotor Francisco Cembranelli; a delegada do 9º Distrito Policial, Renata Pontes; e o advogado Ricardo Martins presenciaram a suposta proposta.
- Queriam que eu assinasse homicídio culposo e tirariam a minha esposa fora do processo. (...) Me deixaram indignado.
Segundo ele, a proposta teria sido feita pelo delegado Calixto Calil Filho. Nardoni contou que o acordo foi apresentado após o grupo mostrar a ele fotos da menina Isabella morta no necrotério.
Nardoni afirmou que, na hora em que a proposta foi apresentada, o advogado dele não se manifestou.
- Eles poderiam me condenar que não íamos assinar nada.
Ao fazer a acusação, Nardoni respondia à segunda questão do promotor Francisco Cembranelli, que lhe perguntou inicialmente o nome da professora de Isabella. Nardoni respondeu que o nome era Fernanda. Ao que o promotor o provocou:
- Dezoito dias depois [do crime], o senhor não lembrava.
Foi então que Nardoni começou a relatar a suposta proposta feita em 18 de abril, dia do interrogatório. Ele afirmou que o promotor “estava do lado” e ouviu o suposto acordo. Cembranelli questionou: “eu participei dessas negociações?”
O pai da menina Isabella afirmou que entre os policiais que o xingaram estava Calil Filho.
- Jogaram copo, garrafa e lixeira em cima de mim.
Ele afirmou ainda que a delegada Renata Pontes chegou a amaçá-lo. Ela teria afirmado:
- Vamos algemá-lo aqui e ver o que vai acontecer.
Nardoni disse que alguns delegados quiseram "ir para cima dele", para bater nele, mas que não chegou a ser agredido. Ele afirma que ficou nesta situação durante horas.
Sem a mulher
A outra ré do caso, Anna Carolina, não assiste ao depoimento do marido nesta quinta-feira. A pedido do juiz Maurício Fossen, ela deixou o plenário logo após o início da sessão.
Se o interrogatório do casal terminar ainda nessa quinta-feira e o advogado de defesa não quiser fazer a acareação dos réus com a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, serão iniciados os debates da defesa e da acusação.
Após o final da apresentação dos argumentos das partes, o juiz consulta os jurados sobre as dúvidas e formula as perguntas que eles devem responder sobre o crime. Essas sete pessoas se reúnem então em uma sala secreta para votação. A sentença é o último passo.
A previsão é de que julgamento termine na sexta-feira (26).
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