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publicado em 23/03/2010 às 14h28:

Jurado pergunta se foi encontrado
sangue em roupas da madrasta de Isabella

Delegada do 9º Distrito Policial negou vestígio de sangue nas peças de Anna Jatobá

Camilla Rigi e Silvia RIbeiro, do R7

Um dos sete jurados do caso Isabella fez uma pergunta à delegada do 9º Distrito Policial de São Paulo, Renata Pontes, na tarde desta terça-feira (23). Após depoimento de quatro horas da policial, um jurado perguntou, por escrito, se foi encontrado vestígio de sangue na roupa de Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina Isabella. Renata negou:

- Todas as peças foram periciadas. Não tinha sangue.

Veja a cobertura completa do julgamento do caso Isabella

Renata Pontes respondeu, desde as 10h05, a perguntas do promotor Francisco Cembranelli e do advogado Roberto Podval. Ela afirmou ter “100% de certeza” que o casal Nardoni é culpado e afirmou que investigou todas as hipóteses do crime. Também ressaltou que a perícia e as investigações foram feitas com lisura.

A dúvida pode ter sido gerada porque, anteriormente, o advogado Roberto Podval questionou a delegada se fora encontrado sangue na bermuda de Alexandre. Renata Pontes confirmou que havia sangue, mas que era “velho” e não era de Isabella.

A defesa do casal Nardoni pediu ao juiz Maurício Fossen que a delegada não fosse dispensada antes dos peritos serem ouvidos. Durante o interrogatório, Roberto Podval quis saber se a cena do crime foi violada por meio da ação dos investigadores. Ele questionou, por exemplo, se os policiais tomaram café no apartamento de Alexandre e Anna Carolina, se comeram ovo de Páscoa e por quanto tempo a chave do imóvel ficou em posse da polícia.

Na segunda-feira, a irmã de Alexandre, Cristiane Nardoni, disse ter visto, logo após a realização da perícia no apartamento do casal, embalagens de ovo de Páscoa sobre a cama dos sobrinhos.

Renata Pontes confirmou que tomou café no local, mas que a bebida foi preparada pela mulher do subsíndico na casa dela e oferecido aos policiais no apartamento. Quanto aos ovos de Páscoa, ela disse que viu no armário de Isabella quando o advogado Ricardo Martins o abriu, mas que ninguém comeu.

Ela relembrou que entregou a chave do apartamento aos advogados já no domingo (30), dia seguinte ao crime, e que, a partir de então, todas as visitas eram acompanhadas pelo defensor do casal. Em dado momento, um dos advogados deixou as chaves com os policiais porque não poderia acompanhá-los com tanta frequência.

O depoimento da delegada Renata Pontes durou pouco mais de quatro horas e terminou às 14h10 desta terça-feira. Ela disse ter visto a olho nu duas gotas de sangue no apartamento do casal no edifício London: uma na sala e outra no quarto dos irmãos de Isabella. Segundo Renata, o restante do sangue foi identificado com uso de reagente. A delegada contou que, inicialmente, considerou a hipótese de roubo, mas logo a descartou diante da situação do imóvel, que não havia sido roubado ou arrombado.

- Fui alertada por um policial que estava na porta do apartamento para não pisar na gotinha de sangue no corredor da entrada. 

Renata lembrou que o casal levantou suspeita sobre o zelador, o porteiro e o gesseiro, empregado que teria se desentendido com Alexandre. Ela disse que apurou todas as hipóteses, entre elas, a da suposta terceira pessoa, defendida pelo casal. Até mesmo denúncias anônimas “com coerência” foram investigadas.

Os réus já estavam presos quando Renata disse ter seguido uma pista sobre um homem identificado como Paulo, que teria cometido o crime. Ele foi chamado e não foi comprovada qualquer ligação com a morte de Isabella. 

A delegada confirmou a contradição entre o depoimento de Alexandre Nardoni posteriormente à polícia e o dado na cena do crime. O pai de Isabella disse que, ao chegar ao quarto com a menina dormindo, acendeu o abajour do cômodo. Renata, por sua vez, afirmou que essa luminária estava apagada e a do quarto dos meninos, acesa. 

Após o encerramento, o juiz Maurício Fossen, que preside o júri do casal Nardoni, determinou um recesso de almoço de 50 a 60 minutos.

 

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