A troca do cinto de duas pontas em ônibus pelo cinto de três pontas aumenta a segurança do passageiro e reduz problemas em caso de acidente. É o que diz o médico Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor do departamento de medicina ocupacional da Abramet, uma associação de médicos especializados em problemas provocados pelo trânsito na saúde das pessoas.
Ele explicou à reportagem do
R7 que os ônibus que rodam hoje em dia são equipados com um tipo de cinto que é colocado de um lado do outro da cintura, o chamado duas pontas ou de quadril. Alves diz que esse tipo de equipamento deixa o ombro e a cabeça desprotegidos. Isso acontece porque o cinto prende só a cintura da pessoa e as costas ficam soltas. No caso do cinto de três pontas isso não acontece já que a terceira ponta passa pelo peito e fica acima do ombro prendendo as costas no banco.
A diferença entre os dois modelos é que se o motorista for obrigado a frear ou o ônibus sofrer um acidente, o passageiro que está usando o cinto de duas pontas pode dar uma cabeçada ou bater o ombro no banco da frente e se machucar e machucar quem está no outro banco. Se o passageiro estiver usando o cinto de três pontas isso não acontece.
Alves Júnior, da Abramet, afirmou que uma pesquisa feita com motoristas que bateram carros verificou uma redução de 72% dos danos naqueles que usavam o cinto de três pontas. Ele desconhece pesquisas do mesmo tipo feitas em ônibus.
- Em um ônibus o passageiro é jogado lateralmente, para frente, para trás e em todos os momentos. Os passageiros precisam ficar fixados para não ser movimentados em nenhum sentido e nisso o cinto de três pontas é mais eficiente. Se ele usar o cinto de quadril (duas pontas) ele não está protegendo nada e vai continuar flexionando o tronco para frente e para trás e a parte superior dele está móvel e a mobilidade do tranco pode provocar dor ou lesão.
O médico diz que os machucados mais comuns quando um ônibus bate são nas costas, cabeça, testa, nariz, rosto e boca. Uma situação que acontece sempre em um caso de parada repentina --quando o motorista precisa frear na hora para não bater e um passageiro é jogado pra frente e bate com a cabeça no banco da frente-- pode causar lesão na coluna cervical do outro passageiro.
Em conversa com pacientes, Alves Júnior diz que não usar o cinto é uma questão cultural e que o incômodo dura até o primeiro acidente sofrido pela pessoa. Depois de sofrer um acidente em um ônibus e fazer tratamento médico o passageiro fica mais "esperto" e passa a usar o cinto.