23 de Fevereiro de 2012
Análise comparou transporte paulista com o de cidades como Londres e Paris
Um estudo feito pelo arquiteto e especialista em transporte de alta capacidade Marcos Kiyoto constatou que o atual desenho do transporte sobre trilhos (metrô e trem) de São Paulo não privilegia as conexões. A pesquisa foi apresentada, no início de março, durante evento realizado pela Rede Nossa São Paulo (movimento não governamental de políticas públicas).
Na análise, o arquiteto comparou o atual sistema de trilhos de São Paulo com os existentes em Londres (Inglaterra), Paris (França) e Cidade do México (México). Kiyoto constatou que a rede de São Paulo é a que possuo o pior número de conexões por linha.
Atualmente, o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos) juntos têm 16 conexões para 12 linhas, o que dá uma média de 1,3 conexão por linha. No estudo, as conexões das estações Ana Rosa e Paraíso - onde as linhas 1-Azul e 2-Verde se cruzam - foram contabilizadas como uma só, já que ambas fazem a mesma ligação. Já na capital inglesa, a média é de 3,4 conexões por linha; em Paris, de 3,2; e na Cidade do México, de 2,1.
No estudo, o arquiteto informa que é considerado péssimo quando o sistema de transporte sobre trilhos tem uma relação conexão/linha abaixo de um. O nível do transporte é médio quando a relação fica entre um e dois, e adequado quando fica acima de dois.
Kiyoto explica que Londres e Paris são tidas como exemplos de cidades que possuem bons metrôs. Cidade do México é tradicionalmente usada em comparações com São Paulo por causa das características socioeconômicas similares entre as duas cidades, além do fato de ambas terem iniciado a construção da rede metroviária na mesma época.
Superlotação
Para Marcos Kiyoto, a consequência direta do baixo índice de conexão nas linhas do Metrô e CPTM é a superlotação. Segundo ele, o governo leva em conta - como fator para minimizar o número de passageiros nos vagões - apenas velocidade e intervalo dos trens, mas a capilaridade da rede também é uma característica importante.
– Um exemplo claro disso é a linha Vermelha. É uma boa linha, mas, como há poucas opções para o deslocamento leste-oeste, ela fica cheia.
O arquiteto Fábio Pontes concorda com Kiyoto, e ressalta que mais conexões significam "mais opções para o usuário".
| Cidade | Extensão do metrô (em km) | Habitantes / km de Metrô |
| São Paulo |
69 |
315 |
| Hong Kong |
174 |
41 |
| Londres |
408 |
19 |
| Nova York |
368 |
52 |
| Paris |
214 |
55 |
Outro lado
A reportagem do R7 entrou em contato várias vezes com a assessoria do Metrô, mas a empresa informou que não iria se manifestar sobre o assunto. Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos disse que as "obras que estavam em andamento na gestão passada continuam sendo executadas".
"As demais linhas da expansão dos transportes metropolitanos, como a linha 6 - Laranja (Brasilândia - São Joaquim), o monotrilho Linha 17 - Ouro (Jabaquara - Congonhas - Paraisópolis) e a Linha 15 - Branca (Vila Prudente - Tiquatira) também estão nos planos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos", diz o texto.
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