A missa em homenagem aos dois anos da morte da menina Isabella, que ocorreu na noite desta terça-feira (30), foi marcada por tumulto ao redor da mãe antes e depois da cerimônia. Parte dos cerca de 1.000 fiéis que foram à igreja Nossa Senhora dos Prazeres, na zona norte de São Paulo, queria abraçar, conversar ou ofertar algo a Ana Carolina Oliveira.
Antes do início da celebração, marcada para as 20h, o padre Humberto Robson de Carvalho ensaiava cânticos com as cerca de 400 pessoas que tomavam os lugares da igreja. Carvalho é o padre que batizou a menina Isabella. Ele insistia para que os presentes reservassem os assentos da frente para os membros da família e convidados.
Veja fotos da cerimônia
Cerca de 15 minutos antes de começar o rito, Ana Carolina chegou pela porta nos fundos da igreja, acompanhada de amigos e familiares. Ela usava uma camiseta branca estampada com a imagem da filha. Mais da metade dos que presenciaram o culto usaram a mesma roupa, que ainda trazia a frase “Para sempre Nossa Estrelinha”.
A camiseta com a foto de Isabella foi distribuída pouco antes da cerimônia por amigos da família. Muitos requisitavam por um determinado tamanho, mas os organizadores esclareciam que “é tudo tamanho único”.
Jeitinho
Por mais que o padre pedisse calma, muitos tentaram tocá-la e abraçá-la enquanto Ana tentava chegar ao seu banco. Dando promessas de que conversaria depois da missa, ela conseguiu sentar ao lado dos avós de Isabella, Rosa Maria Cunha Oliveira e José Arcanjo Oliveira.
O padre Carvalho anunciou que daria um “jeitinho brasileiro” para falar de Isabella em meio a missa da Terça-feira de Páscoa. Em seus sermões, exaltou que Ana tinha conforto por causa de Deus:
– A celebração de hoje também tem como objetivo animá-la [Ana Carolina].
A mãe seguia atentamente o rito. Sorria quando o espirituoso padre fazia brincadeiras e abaixava a cabeça nos momentos em que era mencionada a dor da perda. Durante os cânticos, ela não olhava para o papel, cantava de olhos fechados.
Ana Carolina chorou, na metade final da celebração, durante um cântico que dizia “O mundo pode até te fazer chorar / Deus te quer sorrindo”. O padre prontamente foi abraçá-la.
Mais homenagens
Ao final, o padre chamou Ana e seus familiares a irem até o altar. Após presentear Ana com uma vela amarela de cerca de meio metro que simboliza a menina Isabella, Carvalho terminou o rito. Logo depois da distribuição das hóstias, vários fiéis já formavam uma fila para prestar homenagens à mãe de Isabella. Ela recebeu faixas, cartas, poemas e palavras de conforto.
Devolvendo as expressões de afeto com um sorriso, Ana pedia licença. Queria ir para casa.