10 de Fevereiro de 2012
"Quando chove, o 'condomínio' lota", diz morador do elevado no centro de SP
Diferentemente dos relatos dos moradores de rua, Kassab disse que "houve uma intensificação do trabalho e do atendimento à população de rua". A Secretaria de Assistência Social não quantificou o tamanho desse reforço tampouco informou o total de agentes que atuam nessa área.
O "rapa"
Os moradores de rua reclamam da atuação da GCM (Guarda Civil Municipal) na região. William contou que, na tarde de terça-feira passada (26), teve o colchão tomado pelos guardas.
- O que acontece, pelo menos duas vezes ao dia, é um “rapa” por aqui. Eles [GCM] aparecem para levar as nossas coisas e tirar a gente da calçada. Nunca ninguém veio falar de albergue.
A abordagem feita pela GCM, de acordo com o inspetor chefe do Grupamento Central, Rubens Trapiá, é feita para prestar atendimento à população de rua, encaminhando os moradores, se necessário, para algum abrigo da prefeitura ou hospital. Segundo ele, todos os dias os guardas fazem a ronda – sem um horário pré-estabelecido – com a ajuda de agentes da prefeitura.
- Há uma equipe específica de 12 homens para fazer o recolhimento, e de mais 15, para fazer um trabalho de ressocialização específico com crianças. Na região central, temos um dispositivo de 1.600 homens.
Sobre a queixa dos moradores de rua de que são expulsos da calçada do Minhocão durante o chamado “rapa”, Trapiá explica que o trabalho é feito durante vistoria do patrimônio público. Nesse caso, segundo ele, os moradores de rua são orientados a saírem do local para permitir a circulação das pessoas “e a irem para algum local de atendimento da prefeitura”.
- Entretanto, não são todos que aceitam receber apoio, preferindo ficar na rua.
Raquel Soares, de 44 anos, diz que mesmo com a correria provocada pela ronda diária dos agentes – todo mundo atravessa a avenida "no desespero", segundo ela – há uns guardas-civis “maneiros”.
- Eu saio correndo e não deixo ninguém mexer nas minhas coisas. Geralmente, eles aparecem por aqui às 10h.
Ao ser indagada se prefere ir a um albergue nos dias de enchente, para os alagamentos, a também catadora de latinhas é enfática: ”prefiro a rua, albergue não resolve”.
Censo
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, há aproximadamente 13 mil moradores de rua cadastrados nos 40 centros de acolhida municipais, que oferecem moradia provisória e pernoite – quando a pessoa passa o dia na rua e vai para o albergue apenas para dormir.
De acordo com levantamento de 2000, havia na cidade de São Paulo 8.176 moradores de rua. Um novo censo da população de rua está sendo preparado, pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), e deve ser divulgado em março.
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