Daia Oliver/R7Várias vias ao redor do Fórum de Santana foram pichadas com frases de protesto contra a morte da menina Isabella
27 de Maio de 2012

Pai de Isabella diz que policiais que investigaram o crime perseguem sua família
Veja a cobertura completa do julgamento do caso Isabella
A afirmação foi feita após o advogado Roberto Podval questionar se os antigos defensores não teriam relatado suposta proposta de acordo por estarem com medo. Alexandre disse que o delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP, propôs em 18 de abril de 2008, dia do interrogatório na polícia, um acordo para que ele se responsabilizasse por homicídio culposo [sem intenção de matar] em troca de Anna Jatobá ficar livre da acusação.
Segundo Nardoni, foi colocada uma bomba na caixa de correio de Ricardo Martins, uma dos advogados do casal. Alexandre não informou quando nem onde isso aconteceu.
Ao longo de quase cinco horas, Alexandre Nardoni respondeu a perguntas do juiz Maurício Fossen, do promotor Francisco Cembranelli e de seus advogados. O pai de Isabella prestou um depoimento polêmico. Ele disse que - durante depoimento anterior à polícia em 18 de abril de 2008 - recebeu uma "proposta de acordo" em que assumiria a responsabilidade pelo homicídio culposo (sem intenção de matar) de Isabella em troca da inocência da mulher.
Ele relatou que a delegada do 9º Distrito Policial, Renata Pontes, e o advogado Ricardo Martins presenciaram a suposta proposta.
- Queriam que eu assinasse homicídio culposo e tirariam a minha esposa fora do processo. (...) Me deixaram indignado.
A reportagem do R7 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que não quis se manifestar sobre as acusações feitas por Alexandre Nardoni. A SSP também informou que tanto o delegado Calixto Calil Filho, como a delegaga Renata Pontes, não querem comentar o caso.
Ameaças e xingamentos
Durante depoimento ao juiz Maurício Fossen, Nardoni disse que foi ameaçado por policiais e investigadores no 9º DP, onde o boletim de ocorrência do caso Isabella foi registrado, logo após a morte da menina, em 29 de março de 2008. Ele contou que foi levado "com excesso de força" para uma sala no primeiro andar da delegacia e que foi xingado.
Nardoni contou que foi separado da mulher, Anna Carolina, logo na chegada da delegacia. Ao ser levado para o primeiro andar do local, segundo ele, os policiais teriam dado início a "uma sessão de xingamentos de baixo calão". Nardoni conta que chegou a dizer aos policiais que "não estava ali para ser xingado, mas para ajudar".
O pai da menina Isabella afirmou que entre os policiais que o xingaram estava Calil Filho.
- Jogaram copo, garrafa e lixeira em cima de mim.
Ele afirmou ainda que a delgada Renata Pontes chegou a amaçá-lo. Ela teria afirmado:
- Vamos algemá-lo aqui e ver o que vai acontecer.
Nardoni disse que alguns delegados quiseram "ir para cima dele", para bater nele, mas que não chegou a ser agredido. Ele afirma que ficou nesta situação durante horas.
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