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publicado em 25/03/2010 às 17h16:

Alexandre Nardoni diz que família
sofre ameaças e teme retaliações

Pai de Isabella diz que policiais que investigaram o crime perseguem sua família

Camilla Rigi e Silvia Ribeiro, do R7

O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, afirmou nesta quinta-feira (25), durante interrogatório de seus advogados de defesa, que sua família sofre ameaças e que o pai dele, o advogado Antonio Nardoni, é perseguido até hoje por policiais da delegacia que investigou o crime.

Veja a cobertura completa do julgamento do caso Isabella

A afirmação foi feita após o advogado Roberto Podval questionar se os antigos defensores não teriam relatado suposta proposta de acordo por estarem com medo. Alexandre disse que o delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP, propôs em 18 de abril de 2008, dia do interrogatório na polícia, um acordo para que ele se responsabilizasse por homicídio culposo [sem intenção de matar] em troca de Anna Jatobá ficar livre da acusação.

Segundo Nardoni, foi colocada uma bomba na caixa de correio de Ricardo Martins, uma dos advogados do casal. Alexandre não informou quando nem onde isso aconteceu.

Ao longo de quase cinco horas, Alexandre Nardoni respondeu a perguntas do juiz Maurício Fossen, do promotor Francisco Cembranelli e de seus advogados. O pai de Isabella prestou um depoimento polêmico. Ele disse que - durante depoimento anterior à polícia em 18 de abril de 2008 - recebeu uma "proposta de acordo" em que assumiria a responsabilidade pelo homicídio culposo (sem intenção de matar) de Isabella em troca da inocência da mulher.

Ele relatou que a delegada do 9º Distrito Policial, Renata Pontes, e o advogado Ricardo Martins presenciaram a suposta proposta.

- Queriam que eu assinasse homicídio culposo e tirariam a minha esposa fora do processo. (...) Me deixaram indignado. 

Segundo ele, a proposta teria sido feita pelo delegado Calixto Calil Filho. De acordo com Nardoni, o acordo foi apresentado após o grupo mostrar a ele fotos da menina Isabella morta no necrotério.

Nardoni afirmou que, na hora em que a proposta foi apresentada, o advogado dele não se manifestou.

- Eles poderiam me condenar que não íamos assinar nada.

Ao fazer a acusação, Nardoni respondia à segunda questão do promotor Francisco Cembranelli, que lhe perguntou inicialmente o nome da professora de Isabella. Nardoni respondeu que o nome era Fernanda. Ao que o promotor provocou:

- Dezoito dias depois [do crime], o senhor não lembrava.

Foi então que Nardoni começou a relatar a suposta proposta feita em 18 de abril, dia do interrogatório. Ele afirmou que o promotor “estava do lado” e ouviu o suposto acordo. Cembranelli questionou: “eu participei dessas negociações?”

- O senhor ouviu.

Nardoni já respondeu às perguntas do juiz Maurício Fossen e ainda deve ser submetido a interrogatório pelo seu advogado, Roberto Podval. 

A reportagem do R7 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que não quis se manifestar sobre as acusações feitas por Alexandre Nardoni. A SSP também informou que tanto o delegado Calixto Calil Filho, como a delegaga Renata Pontes, não querem comentar o caso.



Ameaças e xingamentos

Durante depoimento ao juiz Maurício Fossen, Nardoni disse que foi ameaçado por policiais e investigadores no 9º DP, onde o boletim de ocorrência do caso Isabella foi registrado, logo após a morte da menina, em 29 de março de 2008. Ele contou que foi levado "com excesso de força" para uma sala no primeiro andar da delegacia e que foi xingado.

Nardoni contou que foi separado da mulher, Anna Carolina, logo na chegada da delegacia. Ao ser levado para o primeiro andar do local, segundo ele, os policiais teriam dado início a "uma sessão de xingamentos de baixo calão". Nardoni conta que chegou a dizer aos policiais que "não estava ali para ser xingado, mas para ajudar".

O pai da menina Isabella afirmou que entre os policiais que o xingaram estava Calil Filho.

- Jogaram copo, garrafa e lixeira em cima de mim.

Ele afirmou ainda que a delgada Renata Pontes chegou a amaçá-lo. Ela teria afirmado:

- Vamos algemá-lo aqui e ver o que vai acontecer.

Nardoni disse que alguns delegados quiseram "ir para cima dele", para bater nele, mas que não chegou a ser agredido. Ele afirma que ficou nesta situação durante horas.

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