As fotos dos membros de um batalhão da Polícia Militar onde trabalham os suspeitos de tentar matar dois jovens na zona norte de São Paulo revelou a dificuldade das forças de segurança em atuar em uma investigação. A Polícia Civil pediu as imagens à Polícia Militar, que por sua vez respondeu nesta sexta-feira (30) que só mostra as fotos se elas forem consultadas na sede da instituição.
As duas instituições abriram investigações paralelas sobre o caso. A Polícia Civil apura a questão criminal. A Polícia Militar abriu um IPM (Inquérito da Polícia Militar) para apurar uma suposta quebra de disciplina.
A Polícia Civil pediu para que a PM fornecesse as imagens dos membros do batalhão responsável pela área para que as vítimas da agressão os reconhecessem. Mas a PM não levou as fotos.
Segundo o major Marcelo Nagy, porta-voz da corregedoria da Polícia Militar, seriam cerca de 600 a 700 imagens. O transporte seria difícil nesse caso, segundo ele. O major chegou a mencionar que as fotos estariam em fichas com dados sigilosos dos policiais.
– Houve um ruído de comunicação [entre as polícias]. Na verdade, foi o delegado [Antônio Carlos Corsi] que não quis comparecer.
A reportagem do
R7 ainda não conseguiu contato com o delegado para comentar a declaração de Nagy.
Ritos
Apesar de do número da placa e a identificação da viatura, a Polícia Militar diz que ainda não conseguiu identificar quem estava usando o veículo no dia da agressão. Nagy explicou que a PM segue alguns "ritos" e citou o Código de Processo Penal Militar, mas não especificou quais artigos impediram a consulta no registro de uso das viaturas.
– Existem algumas regras legais que devem ser seguidas.
Nagy frisou que a participação de policiais militares ainda é apenas uma possibilidade.
Entenda o caso
Policiais militares são suspeitos de espancar um jovem de 16 anos e tentar matar outro de 22 anos. As vítimas teriam participado de um assalto. Os dois foram pegos pela Polícia Militar. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Antônio Carlos Corsi, há informações de que os militares prenderam os dois, furtaram uma arma de fogo e dispensaram os rapazes sem apresentar ocorrência.
Segundo testemunhas, quando os policiais atiraram no jovem de 22 anos, ele estava em uma Lan house na zona norte de São Paulo. Quando tentou fugir, levou três tiros, nas costas, nas nádegas e no braço. O crime teria ocorrido a menos de 100 metros de uma base da PM. Outros três policiais são investigados por terem dispensado os que tentaram matar o jovem.