27 de Maio de 2012
Grupo foi formado em SP para reprimir disputas entre torcidas durante o evento mundial
Um grupo da Polícia Civil de São Paulo começou a se preparar para a Copa de 2014, que acontecerá no Brasil. Apelidada de Polícia do Futebol, uma equipe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), que já atuava na repressão aos crimes de intolerância dentro dos estádios de futebol, aumentou em 50% o número de funcionários, ganhou novos equipamentos e terá aulas de línguas (espanhol e inglês) e de táticas para lidar com a massa de torcedores.
A delegada Margarette Barreto, titular da Delegacia de Crimes Raciais do DHPP, explica que o trabalho do Grupo de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva vai se dedicar a prever possíveis brigas entre torcidas, muitas vezes ligadas a movimentos de intolerância racial e de gênero. Para isso, os policiais do futebol contam com escutas, máquinas fotográficas e até com agentes infiltrados dentro de grupos organizados.
- Nós sabemos, por exemplo, que há torcidas organizadas ligadas a movimentos de supremacia branca. Na Europa, em países como a Itália e a Espanha, isso também acontece. Por isso, precisamos prevenir que torcidas estrangeiras cheguem ao país na época da Copa e fomentem a ação de outros grupos semelhantes aqui no Brasil.
Quando o assunto é a rixa entre torcedores, os policiais do DHPP também exercem a função de mediadores de conflito. Margerette conta que, neste mês, um policial infiltrado ficou sabendo que um grupo organizado se enfrentaria com outro após a partida de futebol. Foi então necessário chamar os líderes das torcidas para uma conversa.
- Nós dissemos que sabíamos o que poderia acontecer e que queríamos estabelecer um diálogo antes de agir. O resultado foi que não houve briga.
A titular da Delegacia de Crimes Raciais explica que o número de crimes de lesão corporal dolosa [agressões físicas] durante os jogos diminuíram após a instalação dos JECrim (Juizado Espacial Criminal) dentro dos estádios. Essa ferramenta da Justiça funciona em partidas consideradas de risco (como em finais de campeonato) e tem o objetivo de fazer com que o torcedor que se envolve em uma briga saia do estádio já com uma punição. Em 2005, segundo Margarette, 40% das ocorrências registradas pela Polícia Militar nos estádios eram de agressões entre torcedores. Em 2009, esse índice caiu para 5%.
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