27 de Maio de 2012
Oito pinturas supostamente de Aldemir Martins foram apreendidas na sexta-feira
A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio de integrantes da Delegacia de Repressão a Crimes Cometidos Contra Fé Pública do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), investiga um esquema de venda de obras falsificadas de um dos principais pintores do Brasil. A equipe apreendeu oito quadros que seriam do artista plástico Aldemir Martins, morto em 2006. Três estavam com um colecionador.
Na última sexta-feira (5), os policiais apreenderam cinco pinturas. Uma foi interceptada no momento da entrega, no bairro da Aclimação, na região central de São Paulo, e quatro recolhidas no interior da galeria responsável pelas vendas, que está instalada no luxuoso condomínio Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista.
Representantes do pintor atestaram que o material apreendido não é autêntico. O delegado José Roberto de Arruda, titular da Delegacia de Fé Pública, disse que a polícia trabalha com possibilidade de ser um crime de estelionato.
- Mas também existe a possibilidade da falsificação de documentos.
A apuração começou em 25 de novembro. A equipe identificou um agroempresário, de 50 anos, proprietário de três obras suspeitas de falsificação e adquiridas na galeria. Os quadros intitulados Mullher, datado de 2000, e dois com o nome de Gato, datados de 2000 e 2001, apresentavam certificado de autenticidade assinado pelo próprio artista e com firma reconhecida em cartório.
As obras passaram por avaliação do Estúdio Aldemir Martins, dirigido por Pedro Martins, filho do artista. O resultado foi a não autenticidade das pinturas.
O agro-empresário revelou que receberia um novo quadro na sexta-feira. Os policiais interceptaram o furgão da entrega no bairro da Aclimação. No veículo estava a pintura intitulada Cangaceiro, datada de 2000. Segundo representantes do artista, Martins deixou de pintar esse personagem há, pelo menos, uma década antes de morrer.
A equipe, na sequência, procurou o proprietário da galeria. No local, além das pinturas acrílicas sobre tela, foram recolhidas gravuras, notas fiscais relativas às transações e documentos. O dono da empresa deverá comparecer à Delegacia de Fé Pública para esclarecer o comércio das obras. O delegado Arruda encaminhará o material para o Instituto de Criminalística.
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