27 de Maio de 2012
Estratégia visa acuar dependentes para forçá-los a procurar ajuda

Baseados na estratégia de usar a "dor e sofrimento" dos usuários de crack, pela primeira vez a prefeitura e o Estado definiram medidas para tentar esvaziar a Cracolândia, que resiste no centro de São Paulo desde os anos 1990.
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O Plano de Ação Integrada Centro Legal entrou em prática anteontem na região e não tem data para acabar.
A estratégia está dividida em três etapas. A primeira consiste na ocupação policial, cujo objetivo é quebrar a estrutura logística de traficantes que atuam na área. Além de barrar a chegada da droga, policiais foram orientados a não tolerar mais consumo público de droga. Usuários serão abordados e, se quiserem, encaminhados à rede municipal de saúde e assistência social.
Em uma segunda etapa, a ação ostensiva da PM, na visão da prefeitura e do Estado, vai incentivar consumidores da droga a procurar ajuda. Na terceira fase, a meta será manter os bons resultados. A utilização da fragilidade dos dependentes é defendida por Luiz Alberto Chaves de Oliveira, coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania.
- A falta da droga e a dificuldade de fixação vão fazer com que as pessoas busquem o tratamento. Como é que você consegue levar o usuário a se tratar? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Quem busca ajuda não suporta mais aquela situação. Dor e o sofrimento fazem a pessoa pedir ajuda.
Especialistas, porém, veem a estratégia com ressalvas. Para eles, forçar crises de abstinência pode provocar outras reações nos usuários, inclusive violentas. E estudos mostram que a falta da droga não causa busca por tratamento, pelo contrário. Na fissura, dizem alguns médicos, o usuário não tem discernimento para decidir o que é melhor ou não para ele.
A vice-prefeita e secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Alda Marco Antonio (PSD), discorda.- Cortando a chegada do crack e tirando o traficante da rua, a ação da saúde e da assistência social vai ficar facilitada.
Ela destaca que a inauguração até março de um centro de assistência na região central, com capacidade para 1.200 pessoas, vai ampliar a capacidade de atendimento da Prefeitura
Migração
Sabendo da migração dos usuários para regiões vizinhas, que inevitavelmente ocorre em grandes operações, a PM prometeu aumentar as abordagens nos locais para onde os consumidores se mudarem.
A PM já identificou quatro novos pontos de consumo perto da Cracolândia.
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