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publicado em 05/06/2012 às 06h01:

Prisões feitas pela Rota na última semana mostram que facção criminosa continua evoluindo

Delegado da Polícia Civil diz que organização tem "tentáculos" e critica sistema prisional

Do R7

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As ações da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), desde a semana passada, que envolveram supostos integrantes de uma facção criminosa que atua no Estado de São Paulo, podem ser exemplos de que a quadrilha continua evoluindo e estão cometendo crimes mais complexos, como a lavagem de dinheiro. A avaliação é do delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro. 

— [O que ocorreu ultimamente], na verdade, é uma continuação da evolução das organizações criminosas. O sujeito começa com furto, depois roubo, sequestro e acumula dinheiro para dominar do tráfico de drogas. A venda de entorpecentes é o objeto final desses criminosos. 

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No último dia 28, seis pessoas foram mortos em uma suposta troca de tiros com policiais da Rota, na zona leste da capital paulista. A PM disse acreditar que eles sejam integrantes da facção que atua a partir dos presídios do Estado. 

Os rumores de que bairros da zona leste teriam sido submetidos a um toque de recolher em represália às mortes reforçaram a desconfiança de que o grupo estaria se rearticulando. A história ganhou novo fôlego no último fim de semana, quando o nome da facção voltou à cena e, mais uma vez, em uma ação da Rota. Oito integrantes do grupo, supostamente ligados a uma cooperativa de transporte na zona leste, foram presos e, com eles, os policiais teriam encontrado meia tonelada de maconha. 

— Hoje, essas pessoas são muito mais articuladas que no passado. Antigamente, na cadeia, eles ficavam confinados. Hoje, para muitos, é como um spa forçado. Eles têm acesso a celular, a drogas, a churrasco no final do ano. E isso é um obstáculo para combater a atuação desses grupos. [...]é uma facção criminosa que tem seus tentáculos. Ela está evoluindo e, inclusive, praticando agora crimes como a lavagem de dinheiro. 

Seis policiais da Rota são afastados após mortes na zona leste de SP

Para o pesquisador da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas e especialista em segurança pública, Guaracy Mingardi, a facção nunca se desarticulou ou perdeu a força. Ela apenas mudou a forma de agir. 

— Ela está dormente, porque não precisa aparecer. A facção continua com o controle de cerca de 70% dos presídios paulistas e está investindo cada vez mais no tráfico. Então, quanto menos aparecer, melhor. Ela não quer chamar a atenção sem necessidade. Está mais discreta, porque, se aparecer, o Estado será cobrado para combatê-la. 

O ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, Rui César Melo, também diz não acreditar em uma rearticulação da facção criminosa, justamente porque ela sempre continuou atuando, mesmo que de formas diferentes. 

— Essa organização criminosa persiste. O que eu entendo é que ela muda às vezes a forma de atuar, seja em roubo a bancos, condomínios, assaltos a joalherias ou o tráfico. 

Já o ex-secretário Nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva tem opinião oposta. Na avaliação dele, não há sinais de que a organização criminosa esteja se fortalecendo. 

— Não houve fortalecimento nenhum, a polícia monitora. O grupo funciona mais como uma cooperativa do crime do que como uma facção. Eles [criminosos] se aliam por conveniência, para pagar advogado, assistência à família. Depois de 2006, ficou muito enfraquecido com a prisão de gente com relevância na organização. Ou foram mortos. O que nós temos é criminalidade esparsa, que preocupa autoridades e a polícia. Roubos se devem mais à criminalidade esparsa, do que de a organização criminosa. 

Guaracy Mingardi, que foi coordenador de inteligência do Ministério Público de São Paulo na época dos ataques orquestrados pela facção em maio de 2006, não concorda com a ideia de que houve uma fragmentação da cúpula da organização. 

— Eles podem ter saído combalidos (do episódio daquele ano), mas as lideranças continuam. E eles mandam cada vez mais dentro dos presídios. A facção é muito forte dentro dos presídios. Está entrando cada vez mais no tráfico e tem muita gente vinculada à organização. 

Mingardi, entretanto, considera remota a possibilidade de uma nova investida com a proporção da que aconteceu naquele ano. 

— Não acredito que eles vão fazer o mesmo que em 2006. Só fariam alguma coisa se o Estado ameaçasse tomar o controle que eles têm das cadeias. Não existe mais rebelião nos presídios. É porque está pacificado? Não. Eles têm força e não querem agir. Para o Estado também não é interessante. É péssimo. O ano é de eleições. 

Toque de recolher 

Para José Vicente da Silva, a história do toque de recolher na zona leste não passou de boato. 

— Não acredito nisso. Na periferia, em qualquer lugar, isso acontece, como no Rio, Salvador, de alguém passar boato desse. Passa telefone para meia dúzia de pessoas e você induz o pânico, a população é muito suscetível a isso. Se espalha muito mais a notícia nesses locais do que na Vila Mariana, Moema, por exemplo. 

Polícia é avisada sobre novo toque de recolher na zona leste

O ex-comandante da PM endossa o argumento e diz que, diferente de outras cidades como o Rio de Janeiro, não existe áreas de exclusão de São Paulo. Para Rui César Melo, a Polícia Militar não tem dificuldades para entrar em regiões periféricas da cidade.
Guaracy Mingardi, mais uma vez, diverge. Na análise dele, o toque de recolher partiu de pessoas ligadas à facção, mas não vinculadas às lideranças da organização. 

—Tanto que a maioria das lojas abriu e não aconteceu nada. Foi mais discurso. 

O especialista critica ainda a forma como o Estado tem se posicionado em relação ao grupo criminoso. 

— A pior bobagem que se pode fazer é apaziguar e, de vez em quando, sair e matar meia dúzia. Já fizeram isso há alguns anos e não adiantou nada, porque não se mexeu na estrutura. O Estado está trabalhando a situação de forma errada: apaziguar na cadeia, deixando que eles continuem com a sede da força. Todo criminoso profissional sabe que um dia ou outro vai preso. Então, ele tem que ficar de dentro com a facção. É esta a grande questão.

A maneira correta, na avaliação dele, seria “suforcar financeiramente” a organização. 

— Primeiro, é preciso saber quem é quem. E, depois, sufocar financeiramente. É difícil, porque eles não dependem só da droga. Há uma contribuição dos membros. Os presos pagam. Quem é membro e está fora paga. Eles fazem rifa, fazem uma série de coisas que faz com que entre dinheiro. Além disso, é preciso tornar mais rigoroso o controle do Estado sobre a cadeia. 

Relembre o caso:

 

 

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