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publicado em 21/06/2010 às 13h12:

R7 testou: barulho no metrô de SP chega
a ter intensidade de show de rock

Infográfico mostra medição dos ruídos nas três principais linhas do metrô

João Varella, do R7

Os passageiros do Metrô de São Paulo enfrentam diariamente ruídos que variam de uma conversa a um show de rock, segundo levantamento do R7. A reportagem percorreu as três principais linhas - Azul, Verde e Vermelha - com um decibelímetro (equipamento que mede a intensidade de ruídos) em um dia de semana entre as 14h e as 17h30 (veja infográfico abaixo).

O trecho mais barulhento foi registrado entre as estações Jardim São Paulo e Parada Inglesa, da linha 1-Azul. Nesse trecho, o ruído chegou a 108 dB - equivalente a um show de uma banda de rock, segundo a ABORLCCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial). Entre essas estações, o ruído não baixou dos 98 dB, o que é equivalente ao barulho de uma serra elétrica ou de furadeira. Os valores são similares entre as estações Jardim São Paulo e Santana, onde o decibelímetro marcou ruídos entre 89 dB e 106 dB.

O inspetor de segurança no trabalho Antônio Leite Rocha pega o metrô de segunda a sexta-feira e reclama do ruído.

– É muito barulhento. Parece que o freio vem dentro do ouvido.

Segundo o otorrinolaringologista Ektor Onishi, integrante da ABORLCCF, os usuários poderiam até perder a audição se expostos a tal intensidade de ruído por muito tempo - 85 dB por oito horas já pode causar danos ao sistema auditivo humano. Como raramente um usuário passa horas no metrô, não há esse risco, mas o barulho alto pode trazer outras consequências, como dor de cabeça, aumento da pressão arterial, úlcera, gastrite, queimação e insônia.

– Tudo depende do tempo de exposição e a sensibilidade auditiva da pessoa.

Para driblar o ruído, Guilherme Marques, atendente de cartório, escuta música eletrônica com fones de ouvido conectados em seu telefone celular.

– Só consigo ouvir no último volume.

A prática de Marques não é recomendada pelo especialista.

– A orientação é não lutar contra o ruído. Senão, você vai usar um ruído mais alto. O ouvido não discrimina se é música ou barulho. O volume alto é que causa dano.

Mas, no mesmo trem que registrou valores prejudiciais na linha Azul, foram registradas intensidades inferiores. Entre as estações Carandiru, Portuguesa-Tietê, Armênia e Tiradentes, o decibelímetro marcou ruídos entre 74 e 79 dB - equivalente ao tráfego de uma grande cidade e tolerável para seres humanos.

O trecho mais silencioso estava na linha vermelha, entre as estações Tatuapé e Carrão. Fora um rápido pico de 83 dB, o ruído chegou a marcar 66 dB, nível parecido com o de três pessoas conversando e sem riscos para o ouvinte.

Fator trem
A explicação para as variações de ruído está relacionada à condição dos trilhos e à tecnologia do carro do trem, segundo o professor da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) e doutor em ferrovias Telmo Giolito Porto.

– Um pequeno defeito na roda ou no trilho pode gerar ruído durante o contato.
 
Nas entradas e saídas dos túneis subterrâneos há um pico de ruído, segundo a medição da reportagem. Porto explica que isso se deve à mudança no tipo do solo.

A medição da reportagem do R7, que andou em dez trens durante o levantamento, verificou que o "fator trem" provoca alterações no barulho. Um deles trazia um adesivo de "16º novo trem", em alusão aos veículos que passaram a circular neste ano, na linha Verde. Entre as estações Consolação e Vila Madalena, o máximo de ruído detectado nesse trem foi 86 dB. Mas, no mesmo trecho, em um trem mais antigo, o barulho chegou a 100 dB – equivalente ao som de uma motosserra.

A reportagem fez várias medições durante os trajetos. Para o cálculo, o levantamento descartou toda a curva ascendente - de quando o trem ganha velocidade - e descendente - de quando o veículo diminui. Os valores passaram a ser registrados a partir da primeira oscilação para baixo, no primeiro caso, e foram descartados em casos de curva totalmente descendente.

Outro lado
Procurado pela reportagem, o Metrô se manifestou por meio da seguinte nota: "Nos trechos onde se identifica a necessidade, o Metrô implanta atenuadores de vibração nos trilhos e/ou barreiras acústicas na via. Os testes, para medir os ruídos, são executados sempre que há indícios de anormalidades ou reclamações. Entre as estações Jardim São Paulo e Tucuruvi, já foram instalados atenuadores de vibração nos trilhos e barreiras acústicas no elevado".

Para reclamações, o usuário pode ligar para a ouvidoria do Metrô no (0xx11) 3371-7304 de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h às 16h30. Também é possível fazer queixas pessoalmente na rua Augusta, 1.626, 9º andar, das 8h às 11h e das 13h às 16h. As reclamações também podem ser feitas pela internet no site do Metrô.

Veja o infográfico:

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