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27 de Maio de 2012

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publicado em 05/05/2011 às 05h52:

Sem Cata-Bagulho desde 2009, ruas do
Capão Redondo viram depósito de entulho

R7 mapeou 11 locais na zona sul de SP em que lixo toma conta das vias

Fernando Gazzaneo, do R7


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Ruas do distrito do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, foram excluídas da agenda da Operação Cata-Bagulho nos últimos dois anos e se transformaram em “pontos viciados” de descarte de lixo na região. A reportagem do R7 identificou ao menos 11 locais onde restos de construção civil, pedaços de móveis e madeiras, além de outros materiais, atrapalham a passagem de carros e pedestres e atraem insetos e ratos.

Veja galeria de imagens

Moradores da região relatam que móveis e outros objetos velhos jogados nas ruas atraíram mais entulho. Em outros pontos, o descarte de restos de construção também favoreceu o acúmulo de galhos e objetos domésticos. Um dos locais que acumulam esse tipo de lixo fica na travessa Rosifloras, ao lado de um Ecoponto, espaço construído pela administração municipal para recolher lixo.

A Operação Cata-Bagulho foi criada em 2005 pela Prefeitura de São Paulo com o objetivo de pegar o lixo acumulado pelas residências que não é recolhido pelo serviço tradicional de coleta, como móveis, eletrodomésticos e outros materiais sem uso. Os endereços percorridos pela reportagem no Capão Redondo (veja mapa abaixo) não constam no calendário de recolhimento de entulho das Subprefeituras do Campo Limpo e M'Boi Mirim desde 2009.

Os moradores ouvidos pelo R7 relatam que o problema de acúmulo de lixo nas vias do Capão Redondo persiste há mais de um ano. A dona de casa Elaine Lins mora na rua Mercedes Tesser Ponchine e conta que a montanha de entulho começou a se formar na via depois que a sede da associação dos moradores do distrito saiu do terreno. O imóvel foi destruído e o que restou dele acabou atraindo mais sujeira.

- A prefeitura veio até aqui, limpou a praça que fica ao lado de casa, cortou a grama, mas não fez nada com o entulho. Estes restos de construção já estão invadindo a pista e atrapalhando a passagem dos carros.

A Operação Cata-Bagulho no distrito do Capão Redondo passou por 37 vias neste ano. Foram três ações de recolhimento em janeiro, uma em março e outra em abril, mas nenhuma delas beneficiou os pontos em que a reportagem flagrou o acúmulo de lixo, segundo os moradores do bairro. A região do M'Boi Mirim teve quatro operações Cata-Bagulho nos últimos cinco meses.

A prefeitura explicou que os pedidos do moradores e a orientação da supervisão de saúde da região, responsável pelo combate de focos da dengue, determinam os endereços e as datas para a operação.

A dona de casa Antonieta Lessa Ribeiro mora na rua Marco Basaiti e diz que já registrou dois protocolos na Subprefeitura do Campo Limpo. O último deles foi feito em fevereiro deste ano. Segundo ela, a funcionária (da qual ela não lembra o nome) disse que “encaminharia o pedido para a pessoa responsável”, mas a limpeza não havia sido feita até a publicação dessa reportagem.

Antonieta conta ainda que os moradores do bairro e de outros lugares sabem que há lixo acumulado na rua e aproveitam para descartar mais entulho. O problema, segundo ela, persiste há cerca de um ano e favorece a procriação de ratos.

- O cheiro não incomoda, mas ratos já viraram [sic] coisa normal. Eles invadem a casa da gente e podem trazer doença.

O presidente da Associação dos Moradores do Capão Redondo, Teófilo Isaias Lins, também relata que tentou impedir que pessoas jogassem entulho no bairro, mas chegou a ser ameaçado com uma arma. Ele afirma que, em 2010, levou à prefeitura fotos de pontos com acúmulo de entulho. Funcionários visitaram o local, registraram a ocorrência, mas não retiraram o lixo.

A prefeitura prometeu que os endereços que já registraram pedidos de limpeza serão vistoriados e limpos se nestes locais forem encontrados problemas.

Atendimento

A reportagem do R7 ligou para o 156 (telefone de informações da Prefeitura de São Paulo) para solicitar a remoção do entulho na rua Felipe Manara, no cruzamento com a Mercedes Tesser Pochinni. A atendente disse que não poderia registrar o pedido de limpeza, pois só tem autorização para informar quando a Operação Cata-Bagulho passaria pela região. Ela orientou então que a solicitação fosse feita na Subprefeitura do Campo Limpo e forneceu um telefone de contato.

A administração regional foi procurada no telefone passado e um funcionário contou ao R7 que só pode ser feita pessoalmente na praça de atendimento ou pela internet. Ele pediu uma descrição do lixo acumulado e confirmou que o serviço era de responsabilidade da Operação Cata-Bagulho. Porém, a ferramenta na web indicada pelo funcionário, e que é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Serviços, não estava funcionando até a publicação desta reportagem.

A reportagem então voltou a ligar para o 156 e conseguiu cadastrar o endereço da Felipe Manara na coleta. A atendente repassou um número com o protocolo de atendimento e disse que o recolhimento do lixo pode demorar até um mês para acontecer.

Outro lado

A subprefeitura do Campo Limpo esclareceu que a Operação Cata-Bagulhos não faz recolhimento de entulhos, pneus e poda de árvore, pois para estes materiais a administração regional oferece o Ecoponto (veja lista de endereços). O serviço destinado a acabar com esses pontos viciados de desova de lixo é de responsabilidade de outra operação de limpeza da prefeitura, que precisa usar outro tipo de caminhão para remover os materiais.

Dos 11 pontos citados pela reportagem, a subprefeitura informou que irá fazer uma vistoria em cinco endereços (ruas Felipe Manara, Francesco Talenti, Marco Basaiti e as avenidas Comendador Sant'anna e Wilhelm Friedrich Ladwig), mas não especificou quando isso acontecerá. Na rua Solidariedade e na travessa Rosifloras, o serviço de limpeza passou em janeiro e fevereiro. 

Os serviços de varrição, capinação e pintura de guias foram realizados na semana passada na avenida Visconde do Rio Grande, disse a subprefeitura do M'Boi Mirim. A administração regional também informou que o serviço de remoção de entulho já estava programado para as próximas semanas nesta via e na rua Luísa Dias Santana Bonfim.

A subprefeitura Campo Limpo ainda esclareceu que conta com a ajuda das polícias Civil e Militar para combater o descarte irregular de lixo e entulho, mas os moradores também precisam contribuir com a limpeza.

O último boletim da Secretaria da Coordenação das Subprefeituras, divulgado no início do ano, afirma que 98 multas de R$ 12 mil foram aplicadas e mais de 100 responderão por crime ambiental depois de descartarem entulho na rua. A punição está prevista na lei que entrou em vigor em julho do ano passado. Antes, a multa para quem fosse flagrado jogando lixo na rua era de R$ 500.


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